Memórias Paroquiais

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Crato - Monte da Pedra

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1759 Outubro 6 - Monte da Pedra
Memória Paroquial de Monte da Pedra, Crato
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 201, pp. 1507 a 116]

/p. 1507/


N.º 201

Senhor.


Vossa Magestade me ordena responda aos interrogatorios impressos, declarados em o
papel, que se me entrega; e satisfazendo reverentemente ao mandado de vossa
Magestade, respondo o seguinte.


Ao primeiro interrogatorio


Esta terra fica na provincia do Alentejo, pertence ao Grão Priorado do Cratto nullius
diocesis, ahonde o seu prellado, que se chama provizor, e vigario geral no espiritual, e
temporal, tem jurisdiçam quasi episcopal; emquanto á correiçam do provedor, pertence
á comarca da cidade de Portalegre, e emquanto á correição do corregedor, pertence á
comarca da ouvidoria da villa do Cratto: não pertence esta terra a freguezia alguma,
porque he freguezia sobre si, e chama se o Monte da Pedra, e he da sagrada religião de
Malta.


Ao segundo.


O donatario desta terra he o Grão Prior do Grão Priorado do Cratto, e de prezente he
Grão Prior o Serenissimo Senhor Infante de Portugal o Senhor Dom Pedro.


Ao terceiro


Este Monte da Pedra tem sessenta e hoito vezinhos, que constão de duzentas e cincoenta
e cinco pessoas; e a freguezia toda tem noventa e hum vezinho, que constão de trezentas
e vinte e tres pessoas.


Ao quarto


Esta terra está situada

/p. 1508/ situada em a meia costa de hum pequeno monte para a parte do norte, quazi nas
margens de huma ribeira. Descobre se desta terra para a parte do nascente a cidade de
Portalegre, que dista desta terra quatro legoas: tão bem se descobre para o mesmo
nascente o Monte Chamisso, e dista desta terra meia legoa.


Ao quinto


Esta freguezia não tem termo seu, porque pertence ao termo da villa do Cratto; porem
tem lemite seu, e separado dos lemites das demais freguezias; comprehende em si tres
aldeyas, excepto este Monte da Pedra, huma das quais se chama o Monte do Sume, o
qual tem dezasepte vezinhos, que constão de quarenta e quatro pessoas, e dista deste
Monte da Pedra para o poente duas legoas.
Chama se o Monte do Sume porque está situado junto a huma ribeira, que se
chama Sor, e posto que esta agua, comtudo, por muitas que sejam as agoas, todas se
somem, e se metem neste sitio do Sume por baixo de huma safra, e vam sahir na
distancia de cento e vinte, ou cento e cincoenta passos, sem se ver agoa, mais que tão
somente ouvir se o estrondo, e eco, que vai fazendo a agua por baixo da safra, a qual
serve de ponte para em todo o tempo se passar a ditta ribeira de Sor a pé enxuto; e daqui
tomou aquella aldeya o nome do Monte do Sume.
A segunda aldeya que comprehende em si esta freguezia do Monte da Pedra
chama se o Cazal de Folgão Palha, que tem dois vezinhos, que constão de des pessoas;
dista deste Monte da Pedra para a parte do poente legoa e meya. A terceira aldeya, que
comprehende em si esta mesma freguezia do Monte da Pedra chama se o Monte de
Franquino, o qual tem quatro vezinhos, e constão de quinze pessoas; dista deste Monte
da Pedra para a parte do sul meya legoa.


Ao seixto


O parochial desta freguezia assiste, e está dentro deste Monte da Pedra; e nesta
freguezia não ha mais que as tres aldeyas acima nomeadas que são

/p. 1509/ sam o Monte do Sume, o Monte de Folgam Palha, e o Monte de Franquino.


Ao septimo


O orago desta freguezia ao prezente he Nossa Senhora da Conceição; tem esta igreja
somente tres altares, que vem a ser o altar mor, que he o da Senhora da Conceição, em o
qual estão em seus nichos ao lado direito Sam Tiago, e ao lado esquerdo Sam
Bartholomeu apostolos. O segundo altar, he coletral da parte direita chama se o altar de
Nossa Senhora do Rozario, ahonde está em huma tribuna de madeira, e dourada a
imagem de Nossa Senhora do Rozario, e ao lado direito está Sam Caetano, e ao lado
esquerdo está o martir Santo Sebastiam. O terceiro altar tãobem he coletral, está da parte
esquerda chama se o altar do Senhor Jezus Crucificado, ahonde está em hum retabolo de
madeira pintado a jmagem de Nosso Senhor Jezus Christo Crucificado, e ao pe da crux
etá o protomartir Santo Estevão.
Esta igreja tem somente huma nave e ha somente tãobem nesta igreja huma
confraria ou irmandade, que se chama a do Senhor Jezus Crucificado.
Antigamente era esta igreja a do lugar do Sourinho, e o orago era Nossa Senhora
com o titolo de Santa Maria; porem dezertarão os moradores aquelle lugar, que dista
desta terra para o poente meya legoa, ahonde ahinda hoje existem os fundamentos dos
edeficios, que estão em terra da sagrada relegião de Malta.
A razão, e motivo, que se dis, tiverão os moradores para dezempararem aquelle
lugar, e povoaçam do Sourinho, forão humas fantasmas, que tão bem se diz ali
apparecião, e intimidados dellas os moradores, forão obrigados a dezemparar aquelle
lugar, e constetuir a freguezia em este Monte da Pedra, em huma ermida de Santiago,
que aqui estava, e por isso ahinda hoje os moradores conservão a imagem de Santiago
em o altar mor ao lado direito.
Neste lugar do Sourinho, se diz, moravão, e assistião muitos cavalleiros, que se
chamavão os cavalleiros da Espora Dourada, os quais, por tradicão se diz, que se
extinguirão, e morrerão na seguida
/p. 1510/ na seguida, que fizerão a El Rey Dom Sebastiam para as guerras: porem como com os
incendios se consumirão os livros, e papeis antigos, não ha hoje outra certeza mais que
tão somente a tradição; e a pouca curiozidade faz muitas vezes ficar as coizas em
esquecimento.
Chama se a esta terra o Monte da Pedra pela notabelidade de duas pedras, que
estão no seu lemite; huma chama se o Penedo Gordo, que está junto a esta terra na
distancia de cento e cincoenta passos pouco mais ou menos, ahonde os moradores deste
povo ajuntão no Verão todo o pão em palha, e ali o fabricam, e malhão com muito
commodo, porque podem no mesmo tempo andar seis lavradores tratando
separadamente cada hum do seu pam.
A outra pedra chama se a Lagem de Santo Estevão, a qual fica distante deste
povo a seixta parte de huma legoa para a parte do sul; esta está em huma planice com
alguñs cabeços pequenos de redor inclinado para o sul; porem he tão plano, que
porqualquer parte se pode entrar, e sahir della; tem de comprimento cento e septenta
passos pouco mais ou menos; e de largura tem noventa passos, pouco mais ou menos.
Para os seus naturais exagerarem a grandeza, e singularidade desta pedra, ou lagem,
dizem, que se podem em hum mesmo tempo fazer em ella quatorze malhas. Chama se
lhe a Lagem de Santo Estevão, porque está perto de hum cazarão, que era antigamente
ermida de Santo Estevão, que se acha hoje colocado na igreja desta freguezia, e he de
quem se faz mensão no interrogatorio treize, ut infra.


Ao oitavo


O parocho desta freguezia he reyttor cura, he apprezentado, e nomeado pelo Grão Prior
do Grão Priorado do Cratto, e colado pelo doutor provizor prelado do ditto Grão
Priorado do Cratto; tem de renda dois moyos de trigo, huma pipa de vinho á bica, tres
alqueires de azeite, e tres mil e quinhentos reis em dinheiro; o que tudo reduzido a
dinheiro, valerá huñs annos por outros a quantia de cincoenta mil reis, pouco mais ou
menos; tem mais humas cazas terreas de rizidencia, e tem as miudezas dos dizimos, e
valerão estas duas parcellas dez mil reis, que juntos á quantia acima, vem a somar toda a
rrenda, que tem o parocho nesta freguezia em sessenta mil reis pouco mais, ou menos

/p. 1511/ ao menos.


Ao nono


Não tem beneficiado algum, mais que tão somente o parocho.


Ao decimo


Não tem convento algum de relegiozos, ou relegiozas.


Ao undecimo


Não tem hospital.


Ao duodecimo


Nam tem Caza de Mizericordia.


Ao decimo terceiro


Esta freguezia tem somente a ermida de Santo Antonio do Machial, que fica fexa [?] da
parochia meya legoa para a parte do poente, e pertence ao povo o seu reparo, porque
não tem fabrica . Tinha outra ermida do protomartir Santo Estevam, que se acha
demolida ha mais de trinta, e quarenta annos.


Ao decimo quarto


Por todo o anno costumão os freguezes desta freguezia ir em romaria á ermida de Santo
Antonio, principalmente nos Domingos, e dias Santos; e no dia treize de Junho, em que
a igreja celebra a festa de Santo Antonio de Lisboa, que commummente [sic] se chama
de Padua costuma ir a mais da gente desta freguezia, e das freguezias circumvezinhas
em romaria a ermida do mesmo gloriozo Santo Antonio.


Ao decimo quinto


Os fruitos que os freguezes desta freguezia recolhem em mayor abundancia, he senteio.


Ao decimo seixto


O juis desta

/p. 1512/ O juis desta terra he juis padano, e governa se esta terra pela justiça da villa do Cratto,
em cujo termo está.


Ao decimo septimo


Não he esta terra couto, cabeça de conselho, honra, ou behetria.


Ao decimo oitavo


Não ha memoria que em ella florecessem, ou della sahissem alguñs homeñs insignes
por virtudes, letras, ou armas.


Ao decimo nono


Nam tem feira alguma.


Ao vigesimo


Nam tem correio, e so se serve do estafetta da villa do Cratto; e dista esta terra da villa
do Cratto duas legoas.


Ao vigesimo primeiro


Esta terra dista da villa do Cratto, capital do Grão Priorado do Cratto duas legoas; e
dista da cidade e corte de Lisboa capital do Reyno trinta legoas, outros contão trinta e
duas legoas.


Ao vigesimo segundo


Esta freguezia he a mais antiga de todas as freguezias do termo da villa do Cratto, e
mostra se pelo uso, que ahinda hoje se observa em as funçoiñs publicas como são
procissoiñs de preces, em que se costumão ajuntar todas as freguezias deste termo com
a sua matrix, e sempre esta freguezia costuma ir ao pe da sua matrix, que he a villa do
Cratto.


Ao vigesimo terceiro


Na distancia da seixta parte de huma legoa deste Monte da Pedra para a parte do norte,
quazi no fundo da ribeyra, que corre junto deste mesmo Monte da Pedra, ahonde ella se
mete em a ribeyra de Sor, lemite deste monte, no sitio chamado as Enterqueiras

/p. 1513/ Enterqueiras, está huma fonte, cuja agoa cheira tanto a enxofre que senão pode beber; e
gasta tão depressa o alimento, que quem a bebe logo tem fome, e serve para curar huma
enfermidade, que se chama sarne, e tem sucedido a muitas pessoas, que so de se
lavarem com a agoa da ditta fonte; sararam sem mais algum medicamento.


Ao vigesimo quarto


Não ha que dizer a este interrogatorio.


Ao vigesimo quinto


Tãobem a este interrogatorio não ha que dizer.


Ao vigesimo seixto


Nem a este interrogatorio ha que dizer.


Ao vigesimo septimo


Não ha que dizer a este interrogatorio mais que o que está ditto aos interrogatorios
septimo, e vinte dois, ut supra.


Não ha em esta terra serra, de que possa dar noticia a Vossa Magestade.

Noticia do rio desta terra.


Ao primeiro interrogatorio


Junto desta freguezia corre huma ribeira, que devide com o seu curso o lemite desta
freguezia do lemite da freguezia da Comenda termo da villa de Belver deste Grão
Priorado do Cratto servindo de metta a ambas as freguezias; esta ribeira chama se Sor;
tem seu principio em o lemite de hum povo, que se chama Alagoa, que he do termo, e
bispado da cidade de Portalegre.


Ao segundo


Não principia caudalozo, nem corre todo o anno; porque ate esta freguezia não corre de
Verão, porem desta freguezia para baixo corre todo o anno.


Ao terceiro


Entrão em esta


/p. 1514/ Entrão em esta ribeira outras mais pequenas, que de Inverno lhe communicão muita
agoa; dos quais a primeira, que entra na ditta ribeira de Sor, se chama a ribeira do
Caldeireiro, e outros lhe chamão a ribeira da Granja, a qual entra na mesma ribeira de
Sor no sitio chamado o Aguilhão, que he do termo da villa de Gaffete deste mesmo
Priorado. A segunda ribeira, que entra na ditta ribeira de Sor, he a que chamão a ribeyra
do Monte da Pedra, a qual entra na mesma ribeira de Sor no sitio chamado a Bica, he
lemite desta freguezia. A terceira ribeira que entra na mesma ribeira de Sor he a que se
chama a ribeira dos Valles, a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o
Sourinho, que he lemite desta freguezia; a quarta ribeira, que entra na mesma ribeira de
Sor he a que se chama a ribeira de Sam Payo, outros lhe chamão a ribeira de Sipilheira,
a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o Forneco, que tãobem he lemite
desta freguezia.


Ao quarto


Esta ribeira de Sor não he navegavel pelas muitas pedras, e safras que tem em todo este
lemite nem embarcação alguma pode andar nesta ribeira em todo este lemite, posto que
em alguñs tempos pela muita agoa que leva não dá passagem a niguem.


Ao quinto


He de curso muito arrebatado em todo o lemite desta freguezia.


Ao seixto


Esta ribeira chamada Sor corre do nascente para o poente; e todas as ribeiras declaradas
no interrogatorio terceiro, que sam as que se metem na ribeira de Sor, correm do sul
para o norte.


Ao oitavo


Em esta ribeira de Sor não se fazem pescarias, so sim se se [sic] fazem por
divertimento; porem não tem tempo certo, mas o mais comum he de Verão por cauza
das agoas serem de Inverno muito frias, e arrebatadas.


Ao nono


Nesta ribeira de Sor em todo este lemite, pesca livremente quem quer.


/p. 1515/ quem quer.


Ao decimo


No limite desta freguezia do Monte da Pedra poucas margeñs desta ribeira de Sor se
cultivam; porque he tão fragozo, que em poucas partes se descobre terra para esse
effeito, porem se em alguma se descobre terra, e he capaz, cultiva se; e tem esta ribeira
de Sor bastante arvoredo que dá fruto, como he = azinho, carvalho, e soro; e silvestre
tem pouco.

Ao undecimo


Não ha que dizer a este interrogatorio.


Ao duodecimo


Esta ribeira de Sor desde honde principia ate Curuche chama se Sor, e de Curuche ate
Benevente chama se a ribeira de Curuche, outros chamam lhe Sorraya, e outros lhe
darão diversos nomes, mas ao prezente so destes me consta.


Ao decimo terceiro


Esta ribeira de Sor morre em o rio Tejo em a villa de Benevente.


Ao decimo quarto


Sendo esta ribeira de Sor no seu curso tão arrebatada, e principalmente em o lemite
desta freguezia; se encontra em ella muita cachoeyra; porem a mayor he a de que se faz
mensão no interrogatorio quinto da noticia desta terra, pelo que he impossivel fazer se
navegavel, ahinda em tempo de abundancia de agoa.


Ao decimo quinto


Não consta que esta ribeira de Sor tenha mais que duas pontes, huma em a villa de
Tholoza, e he de cantaria, e a outra em o lemite desta freguezia no sitio chamado o
Sourinho, a qual está demolida, e so agora existem os dois arcos principais della, e elles
testeficão a grandeza, e eminencia da ponte, a qual tãobem era de cantaria, porque os
dois arcos que ahinda hoje existem, conservão os seus fexos ahinda direitos, e ahinda
hoje, quando a ribeira leva muita agoa, passa gente por ella a pe enxuto.


Ao decimo seixto


Esta ribeira de Sor


/p. 1516/ Esta ribeira de Sor não tem no lemite deste Monte da Pedra mais que tão somente hum
moinho.


Ao decimo septimo


Não ha noticia alguma que nas aréas desta ribeira de Sor se tira se em algum tempo
ouro, nem ha memoria de tal coiza, e muito menos ha noticia, que no prezente tempo se
tire ouro em suas aréas.


Ao decimo oitavo = Não uzão os povos de suas agoas.


Ao decimo nono


A ribeira de Sor desde honde principia, que na aldeya da Alagoa, como ja se dice no
primeiro interrogatorio, ate honde acaba que he na villa de Benevente, como ja se dice
no interrogatorio decimo terceiro, tem tem [sic] de distancia vinte legoas \segundo se
diz\ e os povos por honde passa sam os seguintes = principia em Alagoa, e passa por
entre os termos das villas de Alpalhão, e Gaffete, e dahi vem passar junto da villa de
Tholoza, e vem passar junto desta freguezia, corre junto do Monte do Sume; como se
dice no interrogatorio quinto, da noticia desta terra, corre junto da Torre das Vargeñs,
que he coutada do Marques de Fronteira, e vai correr junto da villa da Ponte de Sor, e
dahi vai correndo ate chegar a Montrangil juncto [sic] de quem corre, e vai correr
tãobem junto de Curuche, e finalmente passa á villa de Benevente ahonde, se diz, morre
no rio Tejo.


Ao vigesimo = Não ha que dizer; nem a todos os mais expressados, e incluzos no papel.

Tenho dado noticia a Vossa Magestade de tudo o que pude alcançar, e se alguma
coiza vai menos fiel, he falta das informaçoiñs que se medirão, Vossa Magestade
mandará o que for servido. Monte da Pedra de Oitubro seis de 17591.


O reyttor cura Frey Manoel Dias Laberão de Almeyda [Assinatura autógrafa]


(1) Sublinhado no original.


Transcrição: Lígia Duarte

 

Actualizado em Terça, 08 Fevereiro 2011 17:34  

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