Memórias Paroquiais

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Caridade, 1758

Memória Paroquial da freguesia de Caridade , comarca de Elvas

[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 42, nº 43a, p. 23]

 

 

/p. 23/

N. 44 Caridade

 

Caridade he o nome de huma Parochia do termo da Villa = Monsarás = e ja esta bem

descripta no corpo do Dicionario sob o Artigo = Charidade = vida aqui porem a

mencionava para palpar a discordancia dos Auctores Geographos sobre a população;

pois Lima lhe dá 315 fogos com almas 1148: pouco tempo depois Cardoso no

Dicionario lhe da 225 fogos, e no Portugal Sacro 101 fogos.

 

 

Transcrição : Ofélia Sequeira

Ervedal, 1758, 31 de Maio

Memória Paroquial de Ervedal, Comarca de Avis

[ANTT, Memórias paroquiais, vol. 13, nº (E) 37, p. 291 a 298]

“/p. 291/

Relacaõ do que se procura segumdo os interrogartorios, nesta freguezia do Lugar do Ervedeal, e no que toca ao povo.

Interrogatorio 1. Este lugar do Ervedeal, fica em a Provjncia do Alentejo, do Arcebispado da cidade de Evora, da Comenda da Villa de Avis, e freguezia propria de São Barnebe.

2. He da jurisdjcaõ Real.

3. De prezente them o numero, de noventa e sinco vezinhos, pessoas duzentas sincoenta e outo.

4. Esta situado [sic] em terra baxa, e do mesmo se descobre a villa da Figuejra, que dista mea [sic] legoa; a villa de Frontejra que dista tres legoas; a villa de Cabeco de Vide que dista sinco legoas; a villa de Alter do Xham [sic] que dista coatro legoas.

5. Them termo proprio, nelle naõ ha lugares, nem aldeas.

6. A parroquja esta dentro do lugar, em a freguezia naõ ha lugares, nem aldeas.

7. O seu orago he São Barnabe them sinco altares, em o altar major esta o Sacrajo aonde se conserva o Santissimo Sacramento, no lado do Evangelho, a Senhora do Rozarjo em vulto vestida de graca, a ponta da Epistola o orago de São Barnabe em vulto, vestido de graca, em//

/p. 292/

Em a capella major, que se colocou em o Cruzejro, aonde se comserva com seu entelhado de madeijra dourado, e o mais da ditta capella esta pintado, em o teto da dita pintura; esta pintado o Patrjarca São Bento, e a tal capella he de abobeda, em o arco da mesma them em o mejo por remate, para o corpo da Igreja hem coadro dourado, em o mesmo de buxhado [sic] em vulto as tres pessoas da Santissima Trindade; os altares coletrais, no lado esquerdo, o altar do Santo Cristo, aonde esta hum retabolo com as figuras pintadas, de São Joaõ, Santa Maria Madalena, e Senhora da Solada [sic], e huma image grande de hum Senhor em a crus juntamente o altar de Santo Antonjo, com figura do mesmo Santo pintada em hum coadro, e a Senhora da Graca, Santo Antonjo, e São Francisco em vulto, e a Senhora da Concejcaõ em vulto athem [sic] digo them o tal altar de seu entalhado dourado, e no lado direjto, o altar da Senhora da Comsolacaõ, aonde esta hum retabolo, com as figuras pintadas, de São Zacarjas, São Joaqujm, Santa Isabel, Santa Anna, e a Senhora da Comsolacaõ em vulto. O altar das bemditas almas, aonde esta hum retabolo, com a figura de São Miguel pintada, e das bemditas almas, e juntamente huma image da Senhora da Solada [sic], que he de vestidos e as mais imagens que estaõ em vulto estaõ vestidos de graca, o altar them seu entalhado dourado.//

/p. 293/

8. O Paroco he Prjor, aprezentado por El Rej Nosso Senhor, pela Menza da Consciencja, professo em a Ordem de São Bento de Avis do Mestrado.

9. Naõ them beneficiados, e a renda da dita Igreja naõ tem dizimos, senaõ a congrua de tres moos [sic] de trigo, e dous moos [sic] de sevada, e vjnte mil reis em dinhejro, cujia [sic] se completa com a ordjnarja de trigo que pertence a thezourarja, que anda anexa a ditta Igreja.

10. Naõ them Comventos.

11. Naõ tem Ospital.

12. Naõ them Caza de Mizerjcordja.

13. Them duas Ermidas fora do lugar, proximas ao mesmo, huma de São Tiago aonde se comserva o mesmo Santo em vulto, e outra de São Sebastiaõ aonde se comserva o mesmo Santo em vulto.

14. Naõ acodem nellas Romagens, em nenhuns dias do anno.

15. Os frutos que os moradores, recolhem em major abundancja, he trigo.

16. Them dous Juizes ordinarjos, e Camara com tres Vereadores, escrivaõ, procurador, e portejro.

17. Them Conselho proprjo.

18. Naõ ha memoria, que deste lugar tenhaõ sahido homens jnsignes, em vertudes, letras, ou armas.

19. Naõ them fejra.//

/p. 294/

20. Naõ them correo, se serve do correjo de Avis, que dista huma legoa deste lugar.

21. Dista da cidade de Evora capital do Arcebispado nove legoas, da cidade de Lisboa capital, vjnte e coatro legoas.

22. Comservasse [sic] este lugar pellas merces que them feito os Senhores Reiis passados, o que consta das provjzoens que se comservaõ em o cartorjo do dito lugar em a Camara do mesmo sem memoria de couza mais relevante.

23. Em os coutos deste lugar nasse serta qualjdade de agoa, xhamada das açenhas, cujia [sic] se comgella em pedra.

24. Naõ he porto de mar.

25. Naõ ha muralhas, nem no seu destrjto ha Castello, nem torre.

26. Naõ padeceo rujna comcideravel, em o terramoto de 1755.

27. Naõ ha couza digna de memoria de que se faca mençaõ.

Pello que toca a descrever, as couzas notavens, sobre a Serra, naõ ha que dizer, e nesta freguezja, por que em ella naõ ha Serra.

Rjo

Interrogatorjo 1

Naõ ha Rjo, senaõ huma rjbejra//

/p. 295/

Que passa proxima neste lugar, chamada Ribejra Grande, principia distante deste lugar ojto legoas, em o sitjo xhamado as Alcarapinhas, que dista da cidade Galveas duas legoas.

2. Naõ them o nacjmento caudelozo, e ssomentes corre em o tempo do Jnverno.

3. Nada, digo que nesta ribejra se mete a ribejra xhamada da Ponte Dossor [sic], junto a freguezia de Sancta Justa, que fica proxima a freguezia de Santo Antonjo do Cousso, que corre todo o anno, e juntamente o Djvor, que se mete em a mesma em os campos da Villa de Coruxhe, naõ fasso mencaõ das mais agoas que se metem, em a mesma, por correrem so muitas em o tempo do Jnverno.

4. He esta freguezia naõ he navegavel.

5. Ssomentes em o tempo do Jverno, havendo abundamcja de xhuvas, he de curço arrebatado nas emxhentes.

6. Corre do Nasente ao Poente.

7. Crja peixes, chamados barbos, bordallos, e bogas, em igual abundancja.

8. Naõ se passa em o limite desta freguezia, se naõ por corjosjdade, em todo o tempo do anno, a cana, e algumas vezes com rejde.//

/p. 296/

9. As pescarjas the ljmite desta freguezia saõ livres.

10. The esta freguezia, as margens que se cultjvaõ, he em algumas partes, a terra que fica mais proxima a ribejra.

11. Naõ consta ther vertude particular, as suas agoas.

12. Ajnda que se xhama Ribejra Grande, tambem, se chama Ribejra, de Frontejra em o citjo por donde passa proxima, a tal Vjlla, do mesmo modo em a Villa de Vejros, em a Vjlla de Cabeco de Vjde, em a Vjlla da Figuejra, em este lugar, em Avis, tca [sic].

13. Morre em o Rjo chamado o Tejio [sic], e emtra em o mesmo nos campos da Vjlla de Benavente.

14. The esta freguezia naõ he navegavel, por estar empedjda de montes de pedra em varjos cjtjos, e ssomentes se comservaõ alguns asudes dos mojnhos.

15. He esta freguezia, naõ them senaõ duas pontes, e outra junta a Vjlla de Vejros, que saõ junto a Vjlla de Frontejra, e de Avis, que saõ fabrjcadas de alvanarja, de pedra, o cal.

16. Em o ljmite desta freguezia, naõ ha emgenho algum de agoa, senaõ ssomentes, dous moj//

/p. 297/

Mojnhos, mesmo se fabrjcaõ os trigos para farjnha, e juntamente ha dous emgenhos xhamados, as asenhas, em que se fabrjcaõ trigos para farjnha.

17. Naõ ha memoria que em nenhum tempo se tirace ouro das suas areas.

18. O povo uza ljvremente das suas agoas sem pencaõ alguma: exsepto humas ortas, que them o Senhorjo em a Vjlla do Cano, Antonjo Cortes de Brito Rejmaõ, que este paga serta pencaõ por se lhe dar alguns dias agoa para regar as dittas ortas, dagoa [sic] que passa pellos dous emgenhos das asenhas.

19. A ribejra que passa junta a este lugar, desde o seu nacimento, athe os campos da Vjlla de Benavente aonde se mete em o Rjo, them vjnte e duas legoas; passa pella Vjlla de Cabeco de Vjde, de Vejros, de Frontejra, do lugar diga da Vjlla da Figuejra, do lugar do Ervedal, de Avis, de Cabessaõ, de Mora, da Evora, de Coruxe, de Benavente.

20. Nem ha couza de memoria, que sejia [sic] digna de poderacaõ.//

/p. 298/

Freguezia de Ervedal pertense a Vigararia de Avis

Segundo a ordem do Exsellentissimo, Reverendissimo Senhor Dom Frei Miguel de Tavora, Arcebispo de Evora, a que desse execussaõ segundo os jnterrogatorjos, a ordem de Sua Magestade que Deus Guarde, em esta freguezia do lugar do Ervedal, o que comprj segundo o que foi possivel, e asignej Ervedal trinta e hum de Majo de mil sete sentos sincoenta e outo.

O Prior Frei Manuel Thamudo [assinatura autógrafa]

Transcrição feita por Ofélia Sequeira

 

 

Ervedal, 1758, 31 de Maio

Memória Paroquial de Ervedal, Comarca de Avis

[ANTT, Memórias paroquiais, vol. 13, nº (E) 37, p. 291 a 298]

“/p. 291/

Relacaõ do que se procura segumdo os interrogartorios, nesta freguezia do Lugar do Ervedeal, e no que toca ao povo.

Interrogatorio 1. Este lugar do Ervedeal, fica em a Provjncia do Alentejo, do Arcebispado da cidade de Evora, da Comenda da Villa de Avis, e freguezia propria de São Barnebe.

2. He da jurisdjcaõ Real.

3. De prezente them o numero, de noventa e sinco vezinhos, pessoas duzentas sincoenta e outo.

4. Esta situado [sic] em terra baxa, e do mesmo se descobre a villa da Figuejra, que dista mea [sic] legoa; a villa de Frontejra que dista tres legoas; a villa de Cabeco de Vide que dista sinco legoas; a villa de Alter do Xham [sic] que dista coatro legoas.

5. Them termo proprio, nelle naõ ha lugares, nem aldeas.

6. A parroquja esta dentro do lugar, em a freguezia naõ ha lugares, nem aldeas.

7. O seu orago he São Barnabe them sinco altares, em o altar major esta o Sacrajo aonde se conserva o Santissimo Sacramento, no lado do Evangelho, a Senhora do Rozarjo em vulto vestida de graca, a ponta da Epistola o orago de São Barnabe em vulto, vestido de graca, em//

/p. 292/

Em a capella major, que se colocou em o Cruzejro, aonde se comserva com seu entelhado de madeijra dourado, e o mais da ditta capella esta pintado, em o teto da dita pintura; esta pintado o Patrjarca São Bento, e a tal capella he de abobeda, em o arco da mesma them em o mejo por remate, para o corpo da Igreja hem coadro dourado, em o mesmo de buxhado [sic] em vulto as tres pessoas da Santissima Trindade; os altares coletrais, no lado esquerdo, o altar do Santo Cristo, aonde esta hum retabolo com as figuras pintadas, de São Joaõ, Santa Maria Madalena, e Senhora da Solada [sic], e huma image grande de hum Senhor em a crus juntamente o altar de Santo Antonjo, com figura do mesmo Santo pintada em hum coadro, e a Senhora da Graca, Santo Antonjo, e São Francisco em vulto, e a Senhora da Concejcaõ em vulto athem [sic] digo them o tal altar de seu entalhado dourado, e no lado direjto, o altar da Senhora da Comsolacaõ, aonde esta hum retabolo, com as figuras pintadas, de São Zacarjas, São Joaqujm, Santa Isabel, Santa Anna, e a Senhora da Comsolacaõ em vulto. O altar das bemditas almas, aonde esta hum retabolo, com a figura de São Miguel pintada, e das bemditas almas, e juntamente huma image da Senhora da Solada [sic], que he de vestidos e as mais imagens que estaõ em vulto estaõ vestidos de graca, o altar them seu entalhado dourado.//

/p. 293/

8. O Paroco he Prjor, aprezentado por El Rej Nosso Senhor, pela Menza da Consciencja, professo em a Ordem de São Bento de Avis do Mestrado.

9. Naõ them beneficiados, e a renda da dita Igreja naõ tem dizimos, senaõ a congrua de tres moos [sic] de trigo, e dous moos [sic] de sevada, e vjnte mil reis em dinhejro, cujia [sic] se completa com a ordjnarja de trigo que pertence a thezourarja, que anda anexa a ditta Igreja.

10. Naõ them Comventos.

11. Naõ tem Ospital.

12. Naõ them Caza de Mizerjcordja.

13. Them duas Ermidas fora do lugar, proximas ao mesmo, huma de São Tiago aonde se comserva o mesmo Santo em vulto, e outra de São Sebastiaõ aonde se comserva o mesmo Santo em vulto.

14. Naõ acodem nellas Romagens, em nenhuns dias do anno.

15. Os frutos que os moradores, recolhem em major abundancja, he trigo.

16. Them dous Juizes ordinarjos, e Camara com tres Vereadores, escrivaõ, procurador, e portejro.

17. Them Conselho proprjo.

18. Naõ ha memoria, que deste lugar tenhaõ sahido homens jnsignes, em vertudes, letras, ou armas.

19. Naõ them fejra.//

/p. 294/

20. Naõ them correo, se serve do correjo de Avis, que dista huma legoa deste lugar.

21. Dista da cidade de Evora capital do Arcebispado nove legoas, da cidade de Lisboa capital, vjnte e coatro legoas.

22. Comservasse [sic] este lugar pellas merces que them feito os Senhores Reiis passados, o que consta das provjzoens que se comservaõ em o cartorjo do dito lugar em a Camara do mesmo sem memoria de couza mais relevante.

23. Em os coutos deste lugar nasse serta qualjdade de agoa, xhamada das açenhas, cujia [sic] se comgella em pedra.

24. Naõ he porto de mar.

25. Naõ ha muralhas, nem no seu destrjto ha Castello, nem torre.

26. Naõ padeceo rujna comcideravel, em o terramoto de 1755.

27. Naõ ha couza digna de memoria de que se faca mençaõ.

Pello que toca a descrever, as couzas notavens, sobre a Serra, naõ ha que dizer, e nesta freguezja, por que em ella naõ ha Serra.

Rjo

Interrogatorjo 1

Naõ ha Rjo, senaõ huma rjbejra//

/p. 295/

Que passa proxima neste lugar, chamada Ribejra Grande, principia distante deste lugar ojto legoas, em o sitjo xhamado as Alcarapinhas, que dista da cidade Galveas duas legoas.

2. Naõ them o nacjmento caudelozo, e ssomentes corre em o tempo do Jnverno.

3. Nada, digo que nesta ribejra se mete a ribejra xhamada da Ponte Dossor [sic], junto a freguezia de Sancta Justa, que fica proxima a freguezia de Santo Antonjo do Cousso, que corre todo o anno, e juntamente o Djvor, que se mete em a mesma em os campos da Villa de Coruxhe, naõ fasso mencaõ das mais agoas que se metem, em a mesma, por correrem so muitas em o tempo do Jnverno.

4. He esta freguezia naõ he navegavel.

5. Ssomentes em o tempo do Jverno, havendo abundamcja de xhuvas, he de curço arrebatado nas emxhentes.

6. Corre do Nasente ao Poente.

7. Crja peixes, chamados barbos, bordallos, e bogas, em igual abundancja.

8. Naõ se passa em o limite desta freguezia, se naõ por corjosjdade, em todo o tempo do anno, a cana, e algumas vezes com rejde.//

/p. 296/

9. As pescarjas the ljmite desta freguezia saõ livres.

10. The esta freguezia, as margens que se cultjvaõ, he em algumas partes, a terra que fica mais proxima a ribejra.

11. Naõ consta ther vertude particular, as suas agoas.

12. Ajnda que se xhama Ribejra Grande, tambem, se chama Ribejra, de Frontejra em o citjo por donde passa proxima, a tal Vjlla, do mesmo modo em a Villa de Vejros, em a Vjlla de Cabeco de Vjde, em a Vjlla da Figuejra, em este lugar, em Avis, tca [sic].

13. Morre em o Rjo chamado o Tejio [sic], e emtra em o mesmo nos campos da Vjlla de Benavente.

14. The esta freguezia naõ he navegavel, por estar empedjda de montes de pedra em varjos cjtjos, e ssomentes se comservaõ alguns asudes dos mojnhos.

15. He esta freguezia, naõ them senaõ duas pontes, e outra junta a Vjlla de Vejros, que saõ junto a Vjlla de Frontejra, e de Avis, que saõ fabrjcadas de alvanarja, de pedra, o cal.

16. Em o ljmite desta freguezia, naõ ha emgenho algum de agoa, senaõ ssomentes, dous moj//

/p. 297/

Mojnhos, mesmo se fabrjcaõ os trigos para farjnha, e juntamente ha dous emgenhos xhamados, as asenhas, em que se fabrjcaõ trigos para farjnha.

17. Naõ ha memoria que em nenhum tempo se tirace ouro das suas areas.

18. O povo uza ljvremente das suas agoas sem pencaõ alguma: exsepto humas ortas, que them o Senhorjo em a Vjlla do Cano, Antonjo Cortes de Brito Rejmaõ, que este paga serta pencaõ por se lhe dar alguns dias agoa para regar as dittas ortas, dagoa [sic] que passa pellos dous emgenhos das asenhas.

19. A ribejra que passa junta a este lugar, desde o seu nacimento, athe os campos da Vjlla de Benavente aonde se mete em o Rjo, them vjnte e duas legoas; passa pella Vjlla de Cabeco de Vjde, de Vejros, de Frontejra, do lugar diga da Vjlla da Figuejra, do lugar do Ervedal, de Avis, de Cabessaõ, de Mora, da Evora, de Coruxe, de Benavente.

20. Nem ha couza de memoria, que sejia [sic] digna de poderacaõ.//

/p. 298/

Freguezia de Ervedal pertense a Vigararia de Avis

Segundo a ordem do Exsellentissimo, Reverendissimo Senhor Dom Frei Miguel de Tavora, Arcebispo de Evora, a que desse execussaõ segundo os jnterrogatorjos, a ordem de Sua Magestade que Deus Guarde, em esta freguezia do lugar do Ervedal, o que comprj segundo o que foi possivel, e asignej Ervedal trinta e hum de Majo de mil sete sentos sincoenta e outo.

O Prior Frei Manuel Thamudo [assinatura autógrafa]

Transcrição feita por Ofélia Sequeira

 

 

 

São Salvador de Aramenha, 1758, Maio, 17

Memória Paroquial da freguesia de São Salvador da Aramenha, Comarca de

Portalegre

[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 4, nº 34, pp. 181 a 196]

 

/p. 181/

Excelentissimo e Reverendissimo Senhor

Esta freguezia do Salvador da Aramenha está no termo da Villa de Marvão distante

della quazi meja legoa no destricto do Bispado, e Comarca da cidade de Portalegre e o

seu orago he a Salvador do Mundo para a parte do Poente da dita Villa.

Tem a sua Igreja Parrochial cituada em huma despovoada planice chamada o Prado

que tera de comprimento meja legoa, e fica a ditta Igreja distante da Ribeira de

Marvam hum tiro de balla. Achasse cercada de altas serras que sam; a da Portagem

pella parte do Nascente; a de Sam Mamede pella parte do Sul; a do Carvalhal e Ladeira

da Gatta pello Poente; a da Escuza, e Cabeça da Urra pella parte do Norte.

Compoense a ditta Igreja de tres altares; hum na Capella major, som seos degrâos de

cantaria, e seu retabollo de madeira pintado, o qual tem no mejo colocada a Imagem

do Orago, e ao lado do Evangelho a de Sam Thiago, e ao lado da Epistola a de Sam

Sebastiam; a este mesmo lado tem a porta da Sanchristia junto ao arco da mesma

Capella que tambem he de cantaria, e tem suas grades de madeira, razas, que fecham

a mesma capella.

Ao lado do Evangelho do ditto arco da parte do corpo da Igreja /que he de huma sô

nave/ estâ hum altar pequeno com seu retabolo de madeira pintado, no mejo do qual

esta a Imagem de Nossa Senhora: com o soberano titolo do Amparo collocada em hum

nicho; e do outro lado, esta outro altar correspondente com seu retabolo da mesma, e

a Imagem de Nosso Senhor Jesus//

/p. 182/

Jesus Christo colocada em huma crus em outro nicho, e no mejo da parede deste lado

tem seu pulpito de pedra de fronte do qual na parede do outro lado tem huma porta

travessa pequena, e por baxo desta outra por onde se entra para a escada de cantaria

por onde se sobe ao campanario, em que está hum sino pequeno com que se convoca

agente para os officios Divinos; a porta principal, da Igreja he grande tem portado de

cantaria quadrado bem lavrado, e sobre elle huma pedra com hum letreiro que por ter

muntas letras corrompidas do temporal senão pode mais do que = foi feito por

mandado do Senhor Dom Diogo Correa sendo Bispo deste Bispado = e fica para a parte

entre o Nascente e Sul.

Nam pude alcansar noticia da fundação desta Igreja mas por ser mais antiga que as

mais do termo da sobredita Villa de Marvam, e a de Sam Juliam sendo a mais moderna

ser determinada pello Senhor Dom Julião Bispo Primeiro deste Bispado mostra ser

antiquissima, he filial das duas freguezias da sobreditta Villa.

O Parrocho desta freguezia he cura ao qual por immemorial posse costume provar o

Excelentissimo e Reverendissimo Senhor Bispo deste Bispado sem que lhe seja

apprezentado por pessoa alguma não recebe dizimos porque todos os que pagam os

Parrochianos deste destricto vão para o montam das duas freguezias da sobreditta

Villa e o cura so tem de renda annual dous mojos de trigo que lhe pagam os freguezes

para o que fazem todos os annos os seis mordomos da Caza de Atribuição do que deve

pagar//

/p. 183/

Pagar cada hum cazal segundo a sua possebilidade, e familia por cuja cauza não

deixam de fazer continuas queixas da iniquidade com que os Parrochos da Villa estão

comendo o dizimos desta freguezia sem concorrerem para a fabrica da Igreja da

mesma nem para o selario do cura, ao mesmo tempo, que concorrem para a da

freguezia de Sancto Antonio das Arcas da qual recebem menos dizimos.

Os passaes desta Igreja Parrochial sam hum chão tapado com suas arvores de fruta,

castanheiros, parreiras e figueiras que se costuma arendar para seu rendimento se

gastar em obras da mesma Igreja e não consta quem lha deixou nem que tenha pensão

alguma, e fica de fronte da mesma e junto a este está huma limitada caza em que

asiste o Ermitam, da mesma, o qual vive da sua agencia e das esmollas, que os

freguezes lhe dam. Ao pé deste está huma tapada de Souto com suas sereigeiras, e

caza a qual deixou a sobreditta Igeja haverá vinte annos. O Padre Manoel de Faria da

Villa de Marvão, para com seos rendimentos se fazerem algumas obras na mesma

Igreja elle impos a pensão de vinte e quatro missas em cada hum anno e tudo tende

huns annos por outros doze ate quinze mil reis.

Na primeira sexta feira de Março de cada hum annos concorrem nesta Parrochial

Igreja muntas pessoas não da Villa de Marvão, mas tambem da Villa de Castello de

Vide ainda que com menos concurso do que antigamentee de tradição antiga esta

concedida certa indulgencia aos que no tal dia a vizitão porem não pude descobrir a

bulla, nem noticia della nem individuação da indulgencia.

Compoen-se//

/p. 184/

Ermidas

Compoen-se esta freguezia de duzentos e doze cazaes cituados em varios citios que a

baxo referirei e de quinhentos e noventa e huma pessoas de communhão, e cento e

tres menores, e cento e oitenta e seis Innocentes que por todas fazem oitocentas e

oitenta e quatro pessoas. Tem tres Ermidas filiaes: a de Senhora da Esperança no

Monte da Escuza; a de Sam Simiam no Monte do Porto da Espada; a de Sam Silvestre

junto â ponte nova da ribeira.

Dista esta Igreja Parrochial pouco mais de legoa e meia da cidade de Portalegre Capital

do Bispado para a parte do Nascente, e trinta e seis legoas da cidade e Corte de Lisboa

Capital do Reino para a mesma parte.

Aldeas

Os montes principaes desta freguezia são o da Escuza que tem noventa e hum cazal,

duzentas e quarenta e tres pessoas de communhão, trinta e sinco menores, e setenta

e oito Innocentes. O do Porto de Espada que tem quarenta e hum cazal, cento e vinte e

duas pessoas da communhão, vinte menores, quarenta e quatro Innocentes. A do

Carvalhal que tem sette cazaes vinte pessoas de communhão sinco menores, hum

Innocente; e as Reveladas tem vinte cazaes quarenta e nove pessoas de comunhão

onze menores, dezaseis Innocentes. Os Alvarroins que tem oito cazaes, vinte e seis

pessoas de communhão, sete menores, onze Innocentes; a Ribeira Ferraria, e mais

citios circumvezinhos que tem quarenta e sinco cazaes, cento e vinte e oito pessoas de

communhão vinte e nove menores, trinta e seis Innocentes, e a este numero de cazaes

e pessoas tem crescido desde o anno de mil e settecentos e seis em que /segundo

consta do livro do lançamento do ditto anno/ este freguezia e todas as mais//

/p. 185/

As mais do termo da sobreditta Villa sô tinhão sesenta e seis cazaes, e ainda hoje se

estam vendo por todo o termo muntas cazas despovoadas, e grande numero dellas

aruinadas de todo, por não haver quem as povoe tanto assim que a freguezia de Sam

Sebastiam dos Galegos /a qual fica junto da araja de Castella huma legoa distante da

Villa para a parte do Sul e foi demolida na guerra da aclamassão/ ainda hoje se acha

sem cura por não haver quem lhe pague de sallario; e a fabriqua do necessario; e he

parrochia da por alternativa pellos Parrochos das duas freguezias da Villa, que se

utilizam dos dizimos daquelle districto, da mesma forma que percebem os desmais

[sic] do termo da mesma Villa.

Perto desta Parrochial Igreja para a parte do Sul se estam vendo na mesma planice os

vestigios da cidade da Aremenha, os quais são asentes de torres, alicerses de cazas, e

muralhas com muntas cantarias fabricados com tambem temperados materiaes que

não he facil fazer lhe despedir as pedras delles por mais delegencia que se faça; nesta

cidade asistião os Aramenios gentios, e por hum instrumento feito pello Escrivão da

Camera que servio há muitos annos na ditta Villa de Marvão consta que o Reverendo

Padre Mestre Doutor Joam Garção Religiozo que foi da Companhia lhe afirmou

/quando se tirou informação semelhante, a esta para a Academia deste Reino/ tinha

hum livro em que constava que a ditta cidade fora conquistada e demolida pello

Emperador Julio Cesar trinta annos antes da vinda de Nosso//

/p. 186/

Nosso Senhor Jesus Christo havera trinta e oito que deste citio levaram para a Villa de

Castello de Videhum grande portado de cantaria bem lavrado que mostrava ser o

principal da ditta cidade, o qual puzeram, na porta principal, que de novo se fés para a

ditta Villa e fica para a parte do Sul, e se chama a porta da Aramenha; estava esta

cidade contigua a ribeira que que a cercava pella parte do Nascente, e do Sul; a terra

em que esta cidade estava cituada, esta reduzida cultura, e nella se predus bom trigo,

e senteio, e quando não esta semeada são os pastos que produs communs para os

moradores da Villa de Marvão os comerem com seos gados levremente por merce que

delles lhe fes o Serenissimo Rey Dom Manoel no foral que deu a ditta Villa feito no

anno de mil, e quinhentos e doze annos.

Serra

A Serra da Portagem, que fica diante desta Parrochial Igreja para a parte do Nordeste,

discorre do Norte ao Sul, e he quazi da altura do monte, em que a Villa de Marvão está

cituada, de pouca largura e tem de comprimento des mil e duzentas e sincoenta

brassas ate dar na Serra de Sam Bras que fica contigua, e discorre do mesmo modo

com outra igual distancia ate onde esta freguezia se divide da de Sam Juliam em cujo

citio principia a Serra fica sam as dittas serras do meio para sima do Conselho, e quazi

todas chejas de matto de jojna brava da sepa da qual se fas quotidiannamente munto

carvam que se vai vender a terras circumvezinhas por pessoas pobres que do seu

producto se sustentão, e as suas familias, nellas se crião alguns coelhos, e perdizes, e

muntos lobos, e pastam alguns rebanhos de gados; do mejo para baxo são as terras

dos particulares, e pella parte do Nascen//

/p. 187/

Do Nascente tem doze nascimentos de agoa na meia costa, que nam ha memoria se

tenham secado de todo, nam ainda nos annos maiores securas, e tem muntos soutos

nas terras dos particulares, e teria muntos mais se se executasse o que dispoem á

ordenaçam livro primeiro titolo sincoenta eoito paragrafo sincoenta e seis, titolo

sesenta paragrafo quinze, e sesenta e seis paragrafo vinte e seis, cuja execussam seria

munto util tanto para o publico de hum, e outro foro, como para o particular.

A mesma Serra para a parte do Poente tem no principio alguns soutos e a nascente

destes, o matto de azinhal chamado de caleira, por estar todo chejo de pedreiras de

cal preta e branca e ter alguns fornos em que se coze dos quais ao prezente so servem

dous, o arvoredo do ditto matto he do Conselho da Vila de Marvão.

No principio deste matto para a parte do Poente sendo no alto de huma das dittas

pedreiras hum buraco de sinco palmos de largo pello qual se desce em profundidade

de vinte palmos sempre por pedra firme e desta nasce hum fojo que se encaminha

para a parte do Sul com dobrada largura, pello qual descendo outra tanta

profundidade se entra em hum vão que terâ mais de vinte palmos de largo, e trinta de

comprido com bastante altura e vai profundandosse com semelhantes descidas

sempre por entre pedra viva: no meio do mesmo matto em outro cabeço de outra

pedreira, junto a hum forno se acha huma cova grande chamada a da Moura a qual

ainda [Pátio da Moura] que está ja munto entulhada, tem de profunda os trinta e

quatro palmos, e de larga do Norte ao Sul sincoenta e seis, e do Nascente ao Poente

quarenta e dous, e para a parte do Norte tem hum fojo grande, e largue segundo as

antigas tradiçoins he muito comprido e foi feito, para meniral de ferro segundo os

vestigios//

/p. 188/

Os vestigios que naquelle citio se tem visto; dentro desta cova nasce por entre a pedra

viva a erva chamada lingua servina muito util para quem padeçe inchassos no

estomago.

Discorrendo deste matto para o Sul pella mesma costa da sobreditta Serra se seguem

muntas terras, em que se costuma semear trigo, e senteo, e bons soutos, e olivaes, e o

Monte do Porto da Espada a entrada do qual se acha na costa da Serra hum

nascimento de agoa muito copiozo com que se regam alguns pumares e no simo do

mesmo monte outro nascimento maior do que o sobredito, que serve para se regarem

todos os pumares, e hortas que discorrem do simo do mesmo monte ate afundo em ha

muitas arvores de fructas, e par[r]eiras, figueiras, nogueiras e sereigeiras e se criam

muntos linhaes (e para os ministerios das cazas dos moradores, que são quarenta e

hum e se compara das pessoas, que a sima vam rellatadas no ditto monte se acha

huma Ermida da qual he orago Simião cuja Imagem esta no meio do unico altar que ha

na ditta Ermida e ao lado do Evangelho a Imagem de Nossa Senhora da Orada e a do

Senhor do Bom Fim, e ao lado da Epistola a de São Bento, tem a porta para Sul e junto

a ella hum campanario com huma pequena campa, tem missa todos os dias de

preceito que vai adzir [sic] hum capellam ao qual pagam os moradores do ditto monte;

adiante deste se segue outra pedreira de cal preta e branca e hum forno em que se

coze e mais adiante hum nascimento de agoa, a que chamão a Fonte Sancta toda a

costa do lado desta Serra se havião de produzir boas vinhas e olivaes segundo mostra a

experiencia de alguns que nella se tem plantado todo este citio he de bom

temperamento e por isso ha nelle poucas infermidades.

A Serra de Sam Mamede que tambem he do Conselho tem no destricto desta freguezia

duas mil e quinhentas e quarenta braças de comprida he mais alta do que a da

Portagem, e tem bastante largura, e se continua pello termo de Alegrete e de//

/p. 189/

E pello da cidade de Portalegre, e os divide do da Villa de Marvão pello cume da sua

altura tem bastante largura tem no seu nascimento para as partes do Nascente e

Norte varios cabessos, e nestes o monte das Reveladas, que se compoem do numero

de cazaes e pessoas asima rellatadas aonde se encontram dous nascimentos de agoa

hum nas Reveladas de Sima, e outro no citio do Gafette que referirei quando falar na

Ribeira, e para a parte do Sul, e Poente nascem da mesma as Ribeiras de Sevora,

Severete, a de Alegrette, Caja, Cajolla, e da Consogra, he quasi toda de terra maninha

cheia de matto de joina de que se fas munto carvam para as terras circumvezinhas,

cria algumas perdizes, e coelhos, e na mesma pastam muntos gados, e tem alguns

soutos, nas terras, que os particulares por serem boas tem reduzido a cultura, o seu

temperamento he menos bom, do que a da referida, e por isso ha nella mais doenças.

Serra

A Serra da Ladeira da Gatta, que tem principio no termo de Castello de Vide e discorre

pello termo da Villa de Marvão dividindo o da dita cidade de Portalegre, pella parte do

Poente pello cume da sua altura, que he semilhante ao da Serra da Portagem, e fenece

para a parte do Sul no destricto desta freguezia junto a Ribeira da Magdalena, tem

para a parte do Nascente muitos soutos, e grandes pumares, e alguns nascimentos de

agoa copiozos, que referirei quando falar da Ribeira aonde se metem sem o do citio do

Montinho, com que rega muitos pumares, e do qual se servem os moradores da Escuza

aos annos de seca em que não lhe basta a fonte que tem no simo do ditto Monte, e

outro no citio do Ribeiro do Pinheiro, com o qual pode andar qualquer engenho, e

serve para regar alguns pumares junto a esta Parrochial Igreja, aonde tambem corre

para huma pia grande de cantaria em que bebem as bestas em que os Parrochianos

vem a dita Igreja para aqual he conduzida por huma valla feita na superfice da da terra

em distancia de mejo [sic] quarto de legoa, em que da bebida a muntos gados que

pastam naquelle citio//

/p. 190/

Serra

A Serra da Escuza e Cabeça da Urra, que tem principio da parte do Norte no termo de

Castello de Vide e findo no prado desta freguezia perto da Ribeira, para a parte da

Nascente he quasi toda maninha com muitos joinaes de que se fas carvão e tem alguns

soutos na que se tem reduzido a cultura; e nelles o nascimento do Ribeiro das

Ferrarias, que se vai meter na Ribeira sobredita; e para a parte do Poente he quasi

toda lavradia com boas terras, para vinhas, e olivaes, e tem muntas pedreiras de cal

preta, e branca de que se utilizão muntas terras circumvezinhas e tem de

comprimento meia legoa, e junto as pedreiras dous fornos em que continuamente se

coze cal e junto a ella quasi no mejo esta cituado o Monte da Escuza, que se compoem

dos cazaes, e pessoas asima referidas, tem este monte Juis, e Escrivam da Vintena,

eleitos, e sogeitos da Camera e Juis de Fora de Marvão, e no fundo do monte junto a

estrada que vai para a Villa de Castello de Vide huma Ermida grande de que he orago

Nossa Senhora da Esperança aqual tem sua Capella major de abobeda e nella hum

altar com seos degraos de cantaria, em o qual esta dentro de hum nicho a Imagem da

Senhora, tem sua Sanchristia com porta para a mesma capella, e no arco de alvanaria

humas grades de pâo razas, que fecham a dita capella, ha nesta Igreja missa todos os

dias de preceito, aqual vai celebrar hum capelam aquem pagam os moradores do

mesmo monte e no simo deste esta huma fonte de que aquelles uzam tanto para suas

cazas, como para regarem os muntos pumares, e hortas, que ha no mesmo monte esta

fonte em alguns annos de grande seca e diminue munto na sua corrente, as cazas do

monte estão quasi todas cercadas de latadas de parreiras, que produzem munto boas

uvas, o temperamento he bom, e de poucas infermidades o plano que esta entre esta

Serra, e a da Gatta no destricto deste monte esta todo cuberto com grande soutos,

que produzem munta castanha.

Ribeira

/p. 191/

Ribeiras varias

A Ribeira que corre perto desta Parrochial Igreja tem os seos nascimentos no destricto

desta freguezia e os mais principaes sam: o da Ribeira das Naves; os da Robeira das

Reveladas, o da Ribeira da Magdalena; o dos Olhos Dagta [sic]; o do Ribeiro das

Tructas; tem no destricto desta freguezia vinte nove engenhos, a saber: des asenhas,

treze moinhos e seis pizoins, e huma ponte toda de cantaria, citios nos lugares, que

abaxo declararei:

A Ribeira das Naves nasce na costa da Serra de Sam Mamede da parte do Nascente de

fronte do Monte do Porto da Espada, aonde esta freguezia confina com a de Sam

Juliam, e vem sempre correndo para a parte do Norte ao longo da Serra, por Serra

fragoza concurso arebatado ate a fonte dos Coelheiros aonde o nascimento desta

fonte se lhe ajunta, cria alguns pexes, e munta truta, não sem engenho algum, porque

alguns annos deixa de correr com distancia de hum quarto de legoa, aonde chamão as

juntas perto do citio do Pizam Novo, entra na Ribeira das Reveladas.

A Ribeira das Reveladas tem hum nascimento nasce na mesma Serra de Sam Mamede

da parte do Norte no citio das Reveladas de Sima com tanta abundancia de agoa, que

logo a poucos passos fas moer huma asenha ainda nos annos de maiores securas, e

vem correndo sempre por entre Cabessos da Urra com curso munto arebatado por

terra munto fragoza e em breve espasso se lhe ajunta outro nascimento, que tem

principio aonde chamão o Gafette das Reveladas, o qual por si so tambem, em breve

espasso fas moer outra asenha da qual passa para outra que se lhe segue, e emtam se

ajunta com o sobredito nascimento, e juntos ambos vem correndo por entre serras e

sofridos

Com curso

/p. 192/

Com curso tam arebatado que nam tem asude algum e fazem moer mais sinco asenhas

ate se incorporarem na Ribeira das Naves; criam muntas trutas, e alguns pexes, e nam

ha memoria, que deixassem de correr com agoa bastante para moerem os dittos

engenhos ainda que sejam annos de munta secura.

No destrito desta freguezia para a parte do Poente em hum plano, que fica entre a

Serra de Sam Mamede, e a da Gatta no citio dos Alvarroins nasce a Ribeira da

Magdalena e corre o seu nascimento do Sul para o Norte ate o Monte do Carvalhal,

aonde por entre grandes rochedos volta para Sul e fas moer huma asenha em todo o

anno, e ainda hoje se achão alicerses, paredes, e cannos grandes cantaria de outros

engenhos, que havia no ditto citio, e chegando a estrada que vai para a cidade de

Portalegre em hum porto, a que chamão as passadeiras da Magdalena, volta para o

Nascente e em pouca distancia se vem meter na sobredita ribeira, no citio da Asenha

Branca, aonde era a porta principal da cidade de Armenia, que asima se rellatou, he a

Ribeira da Magdalena de menos agoa, e por isso cria menos pexes.

Os olhos dagoa [sic] nascem na costa da Serra da Portagem para a parte do Poente

perto do matto da Caleira em terra fondeira ao Mosteiro das Religiozas de Sam

Bernardo da cidade de Portalegre am tres nascimentos na distancia de seis passos, e

tam abundantes de agoa, que o tiro de balla fazem moer ao mesmo tempo juntos

huma asenha e hum moinho de cubo, sem mais asude que huma baxa repreza para

senão extraviar a agoa, e mais a baxo fazem andar hum pizão e por baxo deste se

metem na ribeira sobreditta, não crião pexes porque ficão mais altos que a ribeira e

pella pouca fundura da sinja

Com a agoa

/p. 193/

Com a agoa dos mesmos se regam nos Domingos os feigoes, e pumares

circumvezinhos que estam nas terras foreiras ao sobreditto Mosteiro.

Todos os sobredittos nascimentos juntos fazem huma grande ribeira que corre para o

Norte e em breve espasso tem hum asude com hum grande pego da onde corre agoa

por huma levada para tres moinhos que se seguem separados ate aonde principia a

Serra da Portagem, aonde lhe entra o Ribeiro das Tructas.

O Ribeiro das Trutas tem seu nascimento na costa da Serra da Ladeira da Gatta para a

parte do Nascente entre o Montinho da Escuza e Ribeiro do Pinheiro em terra baldia, e

dali corre direito a parte do Sul pello mejo do prado, e por baixo da estrada que vem

do Salvador se lhe ajuntam dous olhos grandes de agoa, que nascem, perto de hum

castanheiro, e nam ha memoria deixassem de correr em tempo algum e vem direito a

huma ponte pequena de pedra que tem hum do arco de cantaria, e serve somente

para passagem do ditto ribeiro e perto da ditta pella parte debaixo entra na ribeira

sobreditta tambem este ribeiro cria alguns pexes, e trutas, e em toda sobredita

distancia, senão uza da sua agoa para couza alguma mais do que para beberem os

gados, que pastão no ditto prado que he munto plano e humido.

Juntos todos estes nascimentos sobreditos volta a ribeira para o Nascente o seu curso,

e logo tem outro asude com huma peguia e para hum moinho chamado da Amoreira

corre agoa por huma levada, em pouca distancia, e logo esta outro asude major do

qual corre agora para sinco moinhos.

/p. 194/

Moinhos que se seguem em lugares distinctos, por baixo deste asude entre na Ribeira

o Ribeiro das Ferrarias, que asima se dice nasce na Serra da Cabeça da Urra para a

parte do Nascente, este Ribeiro cria alguns pexes e muntos annos deixa de correr.

Neste mesmo citio está huma ponte grande toda feita de cantaria com seos bordos em

sima tambem de cantaria tem sinco arcos todos formados sobre penha viva, tem de

vam entre os bordos dezaseis palmos, de comprimento trezentos, e dezoito, e na

major [sic] altura setenta e sette, e para a parte do Sul esta huma torre sobre hum

penhasco que mostra ser feita para atalaja para se defender a ditta ponte, que da

serventia a estrada que vem de Castella para este Reyno, e a muntas terras por estar

perto da Alfandega da Portagem, e não haver outra em que se passe a ditta Ribeira em

distancia de meja legoa e perto da mesma ponte para a parte do Norte o tiro de balla

está a Ermida de Sam Silvestre que tem hum so altar com a Imagem do dito Sancto em

hum nicho no mejo de hum retabolo de madeira de madeira nem tem esta Ermida

rendimento algum, nem se dis missa nella em dias determinados.

De huma carta de morte do Serenissimo Rej Dom Denis e a Serenissima Rainha Dona

Izabel sua molher fizeram ao Conselho da Vila de Marvão e a seos moradores, para

poderem pescar em toda a Ribeira com qualquer genero de armadilha livremente

exceptuando da ponte para sima porque em tempo do Senhor Dom Afonço seu Irmam

se mostra que a ditta ponte foi feita ha mais de quatrocentos e vinte annos, porque a

ditta carta foi dada em Lisboa a vinte e sette de Junho de mil e trezentos e trinta e oito

como se ve da sua copia no Livro do Tombo da Camera desta Villa.

Desta ponte para baxo corre a Ribeira para a parte do Sul em todo o destricto desta

freguezia e por baxo dos moinhos ja dittos

Tem

/p. 195/

Tem outro asude major que os sobredittos, da onde parte huma levada, pella qual se

encaminha agoa para mais tres moinhos e mais a baxo esta outro munto major, e de

major fundura da sahe agoa por outra levada para tres pizoins, e mais a baxo esta

outro asude com outra levada por onde corre agoa para dous pizoins, e então torna a

voltar a ribeira a seu curso para a Nascente, e finda o destricto desta freguezia, e

principia a da de Sancto Antonio das Areas aonde tem outros muntos moinhos e

pizoins, e outra ponte munto moderna.

Por todos os sobreditos citios corre a Ribeira arebatada e tem todas as vargens cheas

de tapadas com suas hortas, pumares, soutos e nas rebanceiras muntos amieiros, e

quasi todas se semeão de feijoes, que se regam com agoa da ditta ribeira todos os

Domingos, em que somente he livre, por senão impedir o curso dos engenhos que não

só servem para os moradores de Marvão, o seu destricto, mas tambem para os de

Castello de Vide, e cidade de Portalegre, e nos annos de seca para toda esta Provincia

de cuja terras concorrem muitos a moer farinhas, e pizoar pannos e não ha memoria

que em tempo algum deixasse de correr com bastante agoa para os dittos engenhos, e

os mais, que estão fora do destricto desta freguezia.

Os pexes desta ribeira são muntos estimados e ainda aos enfermos se conçede a com

ellas, ella munto abundante delles e as pescarias livres em toda a ribeira excepto nos

mezes dados por direito; os fructos que nesta freguezia se recolhem com mais

abundancia, he castanha, feijam, e fructa de guarda.

Estas são as notiçias que pude alcansar para a informação que Vossa Excelencia

Reverendissima me ordenou e para tudo o mais fica a obediencia de Vossa Excelencia

Reverendissima a quem dezejo Guarde Deus por muitos anos Salvador da Aramenha

de Majo 17 de 1758

De Vossa Excelencia e Reverendissima

Subdito o mais venerador e muito humilde criado

O Cura de Salvador João Rodriguez Camillo [assinatura autógrafa]

 

 

Transcrição: Ofélia Sequeira

 

 

Seda, 1758, Abril, 12

Memória Paroquial da freguesia de Seda, Comarca de Estremoz

[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 34, nº 97, pp. 761 a 774]

 

 

/p. 761/

Noticias que della se pedem, são as seguintes dadas pellos mesmos artigos da Comisão

A primeiro – Chamase esta povoacão a Villa de Seda; o seu nome antiguo foi Arminho;

e he tradicão antigua que estando o seu Castello tão bem chamado Arminho em poder

dos Mouros; e combatendoo os nossos portuguezes com todo o valor, e defendendose

os mouros com o mesmo, depois de grande porfia, o Capitão dos nossos lhe mandou

dizer que se persistão na resistencia, e elle vencesse tudo passaria a espada; e tendo o

que levou o recado negociado o fim pera que fora; subio ao muro, e disse em vox alta

pera os de fora não he necessario combater, mais a fortaleza porque já se dâ; e desta

palavra e pronunziando o a breve, e com brandura, he que teve origem o chamar se

esta Villa Seda, e perder o antiguo nome de Arminho; e assim o testifica e refere o

Doutor Antonio Gonsalves de Novaes na relacão que dadas couzas deste Bispado de

Elvas o fim da constituicão delle. Fica esta Villa na Provincia do Alentejo, pertençe ao

Bispado de Elvas, tem termo seu e proprio que chega a Villa da Ponte do Sor pera o

Poente, e são quasi quatro legoas e pera o Nascente se estende duas;

He da Comarca de Estremos que rege, e vizita o Provedor de Evora; e he por si

freguezia, e Matris de outras//

Ao Segundo – He esta Villa do Mestrado de Avis por doacão que fes aos Cavaleiros

della El Rey Dom//

/p. 762/

Affonco o Segundo, e na Jurisdicão da dita Villa esteve the o anno de 1427 = e em

trinta de Outubro El Rey Dom João o primeiro estando em Braga lhe fes, a merçe do

titulo de Villa com todas as proeminencias, e regalias que como a tal lhe sao devidas;

assim o refere o mesmo Novaes citado; e de prezente ainda pertence ao mesmo

Mestrado e Gram Mestre das tres Ordans Militares.

Ao 3º - Tem a Villa em si cento e quarenta e sinco vezinhos ou fogos; e fora em

montes, e herdades quinze; e pessoas na Villa quatrocentos e sinco; e nos referidos

montes e herdades sincoenta e nove, como tudo consta do Rol de Conficão do

prezente anno de 1758 =

Ao 4º - Esta situada em hum serro; do qual se descobre a Villa de Avis que dista tres

legoas, e a de Fronteira na mesma distancia; Evora Monte na de oito. O Castello de

Estremos na de sette, a de Alter do Chão na distancia de duas, Alter Pedrozo na de

duas e meyo, o Cratto, e a Torre da Igreja da Senhora de Flor da Roza na de tres; Aldea

da Matta na de duas;

Ao 5º - Tem termo seu, como fica dito, o qual//

/p. 763/

O qual tem dentro em si a freguezia, e aldea de São Pedro da Ervideira; e a freguezia

de São Domingos da Sarrazola, das quais he Matris a Igreja de Seda.

Ao 6º - A Igreja Matris desta Villa esta fora della, mas quasi contigua em hum alto, e

tem annexas a ella as referidas freguezias de São Domingos da Sarrazola, e São Pedro

da Ervideira, regidas cada huã por distinto Parocho freyres do Convento de Avis.

Ao 7º - O orago desta Matris de Seda de Nossa Senhora do Espinheiro; tem sinco

altares; a saber o altar mor com sua tribuna de entalhado em que esta a imagê da

Senhora em hum trono; o da Senhora do Rozario, outra da Senhora da Conceipcão,

outra das Almas; e outro novamente erigido de pedassos do retabalo velho do altar

mor, inda sem titolo, e nelle se intenta por o coracão de Jesu; tem huma só nave.

Tem quatro confrarias; a saber a do Sanctissimo Sacramento, a da Senhora; a das

Almas; e a da Ermida de São Marcos que esta no termo, e lhe he annexa.

/p. 764/

Ao 8º - O Parocho desta matris de Seda tem o titulo de Prior, he aprezentado do

Governo Mestre das tres Ordens Militares pello tribunal da Meza da Consciencia, e he

da Ordem de Avis; tem de Congrua que lhe paga o Comendador da dita Villa do Celeiro

della e dizimos dois moyos e meyo de trigo; dois moyos de sevada, e de seleiragem do

dito celeiro moyo e meyo de trigo; e em dinheiro vinte mil reis. O pê de altar he muito

tenue e rendera the quinze mil reis.

Ao 9º - Tem esta matris dois beneficiados freires de São Bento de Avis, aprezentados

pello Grão Mestre das tres Ordens Militares, pella Meza da Consciencia tem de sua

Ordinaria e Congrua dois moyos de trigo, e moyo e meyo de sevada e des mil reis em

dinheiro pago tudo pello Comendador da dita Villa; são beneficios curados e nas

offertas dos officios levão ambos que entre si reparam a metade, e a outra a metade o

Prior, mas tudo isto vem a parar em couza muito tenue no fim do anno porque annos

ha que nemhum officio se fas.

Ao 10º - Não tem Convento algum//

/p. 765/

Ao 11º - Tem esta Villa huma Caza terrea e hum sotão a que chamão hospital, não tem

por si renda alguma, mas nos poucos gastos delle assiste a Mezericordia desta Villa por

cuja conta corre a sua administração.

Ao 12º - Tem Caza de Mizericordia, instituida no anno de 1583 = no primeiro de

Outubro por graça, e merçe do Senhor Rey Dom João como Grão Mestre e Governador

da Ordem de São Bento de Avis, e confirmada por El Rey Phelipe por provizão passada

em 20 de Setembro de 1600 = na qual se concedeo que os bens de huma Capella que

havia na dita Villa do Gloriozo São Bento, e erão administrados pellos Juizes, e

Vereadores, dahi em diante filassem os seus rendimentos pera a dita Meziricordia,

ficando esta obrigada a mandar dizer em cada hum anno trinta missas na Capella do

dito Santo pellas dos defuntos que deixarão os ditos bens, e proverem a dita Capella

de todo o seu necessario; o que tudo consta das provizões registadas no tombo da dita

Mizericordia f. 277 v f. 278. E informandome de todos os rendimentos que tera a dita

Mizericordia, tera oitenta athe noventa mil reis huns annos por outros em cada hum

anno.//

/p. 766/

Ao 13º - Tem esta Villa nove Ermidas, a saber a roda da Villa a de São Sebastião, 2ª a

de São Bento ja referida e que prove a Mizericordia; 3ª a de São Pedro; 4ª a do Espirito

Santo; 5ª de São Francisco; 6ª a de Santo Antonio em distancia de quarto de legoa; 7ª

a de São Bernabe, em distancia de huma; 8ª a de São Marcos Evangelista em distancia

de outra; 9ª e ultima a da Senhora dos Prazeres, em distancia de duas legoas, onde

chamão Alparrajão, no qual sitio houve antiguamente hum Castello ou Villa que foi

destruida em tempo dos Romanos, e os que das suas maos escaparão vierão fundão a

povoacão que hoje se chama Seda; refereo assim o citado Novaes;

Ao 14º - A Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres referida foi antiguamente de muita

ro[ma]gem; e hoje ja menos frequentada; os que inda nos prezentes tempos alguas

vezes ahi vaõ são os moradores desta Villa de Seda; e com especialidade e maior

concurso vaõ no seu proprio dia, com seu pendro a fazer lhe festa e assim os da Villa

de Castel da Vide em oito de Setembro todos os annos inda que haja guerras; os da

Villa de Ponte do Sor tãobê alguns annos ahi vem, mas não tem dia certo; e dos mais

povos circumvezinhos algumas pessoas, mas raras vezes vão vizitar a mesma

Senhora.//

/p. 767/

Ao 15º - Os fruitos que esta Villa colhe em mais abundancia são trigos, e algum azeite.

Ao 16º - Tem dois Juizes Ordinarios que se elegem por pelouro, e confirma o Ouvidor

de Avis por ser da sua Correicão; tem Camera com Vereadores, e Procurador sem

sujeicão a outra justiça.

Ao 17º - Não he Couto, nê Beetria, nem Honra e que entendo da doutrina de Cabedo

fl. 200 e do Elucidario de Bento Pereira nº. 1188, e tem Concelho regido pellos Juizes

Ordinarios e Vereadores desta Villa.

Ao 18º - Não achei noticias de que desta Villa sahisse homem ou pessoa insigne em

virtude armas ou letras; e so sahio della hum Frey Dioguo Cutella e chegou nos annos

atras a ser Provinzial dos terseiros de São Francisco de que foi religiozo, e ha poucos

annos morreo.

Ao 19º - Tem dia deputado pera feira que he des de Agosto, e he livre, mas hoje sem

concurso algum de gente que a ella venha.

Ao 20º - Não tem correyo, aos seus moradores, huns se//

/p. 768/

Servem do correyo de Alter do Chão que dista duas legoas, outros do de Avis que dista

tres, segundo portadores achão, por que não tem o Conselho, e Camera de Seda

estafeta.

Ao 21º - Dista esta Villa de Seda da cidade Capital do Bispado que he Elvas nove legoas,

da Corte e cidade de Lisboa vinte e sinco.

Ao 22º - Nada.

Ao 23º - Ha no termo desta Villa junto a Senhora e Ermida dos Prazeres huma fonte, e

outro posso junto a Villa no sitio em que antiguamente estiverão vinhas, dos quais

refere o Doutor Novaes citado, que a agoa da fonte he tão fria que se a noite lhe

lancão peixe, pella manham os achão mortos, e com os olhos extravassados; e que

com as agoas do posso se não coze carne; mas os moradores desta Villa inquiridos,

como não fazem de prezente experiencia das referidas fontes, so afirmão o mesmo por

tradicão.

Ao 24º - Nada.

Ao 25º - Teve antiguamente seus muros, ex Castello de que inda ha alguns vestigios e

pedassos de muro.//

/p. 769/

Ao 26º - Não padeceo, a Deos gracas, ruina algũa sensivel no terremoto do anno de

1755.

Ao 27º - Nada que se relate.

Nem tão bem do que se procura da Serra e couzas della, por que a não tem, mais o

que o Serro pequeno, em que esta situada.

Rio

Noticias delle são as seguintes:

Ao primeiro – Chamasse a Ribeira de Seda, corre distancia de tiro de bala por junto da

Villa, nasce do pê da cidade, e cidade de Portalegre.

Ao 2º - Corre somente de Inverno, e tem grossas enchentes; mas do consso [sic] pera

baixo corre todo o anno.

Ao 3º - Por baixo da Villa do Cratto em tiro de peça entrão nella duas ribeiras mais

pequenas, huma se chama Chozanal que nella entra pella parte do Norte, e outra

chamada Linhares que entra da parte Sul; por sima desta Villa em distancia de meya

legoa entra nella outra chamada Cugancas pella//

/p. 770/

Parte do Norte, e logo mais abaixo outra da mesma parte mais pequena que se chama

Alfeijolos; corre a ribeira de Seda para as partes de Avis; e perto desta Villa se mete na

ribeira chamada de Fronteira, e ahi ambas passão por onde chamão o Maranhão; mas

antes de chegar a meterse na ribeira de Fronteira em Avis entre nella outra junto a

Benavilla chamada a ribeira da Sarrazola que vem do Nascente; e proximo a Villa do

Cabecão quasi quarto de legoa pella parte do Sul entra nella a ribeira chamada Ter[a]

que vem de Pavia; e na aldea de Santo Antonio do Cousso pella parte do Norte entre

nella a ribeira do Sor; e da mesma parte na Villa da Erra entra nella outra do nome

desta Villa; e abaixo da Erra da parte do Sul entra nella outra chamada Odivor.

Ao 4º - No tempo de Inverno, e quando ha enchentes navegão por ella barcos de

Coruxe pera baixo.

Ao 5º - He de curso quieto em toda a sua distancia, e sô abaixo da Villa de Mora meya

legoa tem despenhadeiro onde chamão o furadorio.//

/p. 771/

Ao 6º - Corre do Nascente pera o Poente.

Ao 7º - Cria bordalos, barbos, pardelhas, bogas e quando chega a Villa de Mora, e

Cousso ja tem tainhas, salmoes, e saveis que sobem do Tejo.

Ao 8º e 9º - Tem huma pesqueira por sima da aldea do Santo Antonio do Cousso onde

chamão o Engal, e no furadorio por baixo de Mora outra, e esta se dis ser do

Excelentissimo Conde do Vimieiro e em toda ella mais, pesca livremente quem quer.

Ao 10º - As suas margens em a Villa de Mora são povoadas de vinhas, dahi abaxo

admitem suas margens muito agricultura de pão e no termo do Cratto, Alter do Chão,

Seda e Benavilla as suas margens em muitas partes tem montados de bolota.

Ao 11º - Nada.

Ao 12º - Esta ribeira de Seda chamouse antiguamente//

[p. 772]

Antiguamente Arminha dis Novaes cita do por ter seu principio na Serra da Aramenha

perto de Portalegre, onde foi aquella antigua cidade de Medobriga, athe logo por

baixo de Avis tem o nome ou Ribeira de Seda, e dahi vay tendo os nomes das terras

por onde passa que são Maranhão, Cabecão, Mora, Coruxe, e no Cousso se chama

Sorraya.

Ao 13º - Em Benavente entra no Tejo.

Ao 14º - Tem em primeiro lugar a falta de agoas que fas se não navegue pera sima de

Coruxe; e em segundo lugar abaixo de Mora hum despenhadeiro onde chamão o

furadorio.

Ao 15º - Tem junto ao Cratto hũa ponte na estrada que vay pera a Villa de Alter outra

logo mais abaixo onde chamão o moinho da Ordem; outra em meya legoa de distancia

por sima desta Villa da Seda, he obra mui forte, e de excellente archytectura, fabricada

de pedras de cantaria grandisimas tão unidas que parecem huma,//

/p. 773/

Sem se enxergar couza em que pudesse haver, tem seis arcos; os bordos de ambas as

partes são tão largos que Novaes citado na narração que fas da Villa de Alter do Chão e

dis que hum homem pode correr por elles a cavalos, como se conta aconteceo

passando por elle El Rey Dom Philipe 1, quanto entrou neste Reyno, e hia a fazer

cortes a Thomar; e acrescenta que ventura seria o seu author o mesmos officiaes que

fizerão hũa das tres vias militares que fale de Benevente athe Merida, e mandou fazer

o Emperador Antonino; esta ponte se chama a Monte de Villa Fermoza.

Ao 16º - Por sima da Villa do Cratto quasi huma legoa tem esta Ribeira de Seda hum

moinho, de fronte do Cratto, dois hum por baixo da ponte que vay pera Alter, outro no

caminho que vay pera esta, Villa de Seda, outro onde chamão o pego do cepo, mais

abaixo outro por sima da ponte asima referida de Villa Fermoza outro abaixo desta

Villa; e em a Villa de Cabecão e Mora tão bem dahi ha moinhos nesta ribeira.

/p. 774/

Ao 17º - Nada.

Ao 18º - Das agoas della uzão os seus moradores livremente.

Ao 19º - Desde do seu nascimento que he a Serra de Portalegre the Benavente, onde

se mete no Tejo esta ribeira, são vinte e duas legoas.

E passa perto da Villa do Cratto distancia de tiro de peça, e por junto desta Villa de

Seda, e dahi por baixo da de Benavilla, e Avis, pello Mara[n]haõ, Villa do Cabecão,

Mora, Santo Antonio do Cousso, Erra, Coruxe, e por fim a Benavente onde acaba.

Estas as noticias que pude descobrir sobre os interrogatorios da Comissão que com

esta remetido: Seda 12 de Abril de 1758

O Prior Frei Joze Martinz da Aprezentaçam

 

 

Transcrição: Ofélia Sequeira

 


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