Memórias Paroquiais

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1758  - São Saturnino de Vale de Maceira
Memória Paroquial de São Saturnino de Vale de Maceira, Fronteira
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 38 nº 40, pp. 227 a 228]

 

/p. 227/

Val de Maceira - termo Fronteira N. 40

Em resposta dos interrogatorios aos quaes se me ofereçe dizer o que me pertençe, e
segundo a noticia que pude alcançar.

A freguezia do Sr. S. Saturnino de Val de Masseyras he filial á jgreja matrix da
Villa de Fronteira a qual está sitiada em o termo da dita villa , comarca de Avis, bispado
de Elvas provinçia de Alentejo.
Esta parochia, he de El Rey Nosso Senhor como grão mestre.
Tem a dita freguezia = 44 moradore;= 189 pessoas adultas,= e 74 paruulas [?].
A dita parochia está sitiada em hũ vale e de la se não descobre povoassão
alguma sóo sim a villa de Fronteira.
Em o dristicto da dita está hũa aldeya çhamada Val de Maçeyras, e o numero
dos moradores e pessoas dela, vay incluido em o paragrafo 3º.
O orago da parochia, he o Sr. S. Saturnino, o qual está em o altar mayor, e os
altares colatraes, he hum da Virgem N. Srª. do Rozario, e o outro he do Menino Jezus, e
tem mais o altar das Benditas Almas, tem 3 jrmandades, das Benditas Almas, da Vrigem
[sic] n. Srª. do Rozario, do Menino Jezus.
O parocho he aprezentado por El Rey N. Sr. como Grão Mestre, tem de congrua
3(1) moyos

 

/p. 228/ moyos de trigo, e 40 alqueires de seveda \pelos freguezes\ pago pelos
freguezes.
Aos interrogatorios = 9, 10, 11, 12, 13, 14 não se me ofereçe dizer couza
al[gu]ma.
Os moradores da dita freguezia, vivem de seus gados e lavouras das quaes
recolhem abundançia de trigos, sevadas, e alegumes [sic].
A os interrogatorios, = 16, 17, 18, 19, 20 não se me ofereçe dizer couza
alguma.
A parochia dista da sidade [sic] capital do bispado 5 legoas, e da muito nobre, e
jllustre sidade de Lisboa, segundo o que me consta dista 33 legoas.
Aos interrogatorios = 22, 23, 24, 25, 26, 27 não se me ofereçe dizer couza
alguma.
Em a dita freguezia não há serra alguma, nem rio que haja de notiçiar, sóo
sim 2 ribeyras, çhamada hũa á da Annalhoura, em as vargens [sic] da qual se cultivam
milaes(2) [sic] , e feyjoaes em abundançia; a outra ribeyra, se çhama a Ribeyra Grande, a
qual tem seo principio em o ribeyro do Freyxo termo da villa de Monforte e dizem
finda em o Tejo junto a Escaroupim nesta ribeyra se criam, barbos, bordalos, bogas e
nela se pesca todo o anno com o instromento de cana, e com redes, he o que posso
notiçiar.

O parocho encomendado o Padre Domingos da Costa Bonacho
[Assinatura autógrafa]

 

 

 

(1) Sublinhado no original.

(2) Faltam letras. Pode querer designar “milhoaes” ou “meloaes”.

 

 

 

Transcrição: Lígia Duarte

 

1759 Outubro 5 - Vale do Peso
Memória Paroquial de Vale do Peso, Crato
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 38, nº 52, pp. 275 a 280]

/p. 276/

N.52

Rmo. Sr.
Vossa Senhoria me detremina lhe responda aoz interrogatorioz, que impressoz me forão
remetidoz por ordem de Vossa Senhoria; e satisfazendo na parte, que metera á sua
continençia, informo a Vossa Senhoria, que esta Aldea do Val do Pezo he situada na
provincia de Alentejo sujeita ao Priorado do Cratto da Ordem, e Milicia da Sagrada
Rilligião [sic] de Malta na comarca de Portalegre termo da Villa do Cratto, freguezia
por si separada da mesma villa, que antigamente se chamava = a cidade do Pezo,
segundo a tradisão vulgar, que nesta freguezia se conserva, tomando o nome de hũa
formoza, e bem paresida pedra, a qual existe junto desta aldea já quebrada, porque em a
sua circumferencia tem a ambisão dilligenciado com profundas cavas encontrar os
trezouroz, que ahi suppoem oz naturaes, que ficarão ócultoz na destruisão da cidade;
porem não consta que se tenhão encontrado, mais, que ruinas de mayor povoasão da que
hoje se conçerva, e se ignora totalmente o tempo da sua antiga existencia, e destruisão.
He donatario desta aldea o Serenissimo Senhor Infante D. Pedro como Gram Prior deste
Priorado do Cratto.
Tem a povoasão cento, e vinte vezinhoz com trezentas, e oitenta pesoas. Está situada
em terra plano [sic], dezempenhando assim o nome de vale, e della se descobre a cidade
de Portalegre em distancia de tres legoas, e o castello da Villa de Marvão na distancia
de quatro legoas.
Houve no lemite desta aldea huã povoasão chamada = Pedo Rodo = em
distançia de quarto de legoa para o Nascente, de que há ainda fresca lembrança, e nas
suas ruinas mostra ter sido de poucoz vezinhos, e noz livroz da igreja ha açentoz de
cazadoz baptizadoz, e defuntos com datas de cem annoz pouco mais, ou menoz a esta
parte, declarando nomes de pesoas, que habitavão nella, de que oz vivoz ainda dão
noticias por seus pays adquiridas; porem haja só =

/p. 276/ só se conserva huâ caza em pe, e muntas paredes de outras junto dellas algumas fazendas cercadas de paredes de
pedra com arvores de figueiras; oliveiras, e sovreiros, sendo a conservasão das dittas
paredes o milhor demonstrativo de ter sido povoado aquelle sitio; porque no termo da
Villa do Cratto, em que oz pastoz sâo comuns a todoz oz gadoz doz seus moradores,
não se permitem similhantes tapadas, senâo em a vizinhança doz povoz para o seu uso
particular.
A parrochia está na ponta da aldea para a parte do Poente e o seu orágo he a
Senhora da Lus: he fabrica de huâ só nave cuja grandeza he munto bastante para oz
moradores da freguezia, reparada a sua cappella mór pello ardentissimo zello do
Serenissimo Senhor Infante Gram Prior actual, que de novo tambem a tem paramentado
de preciozoz ornamentoz para o divino culto: tem seis altares, e no mayor está o
Santissimo Sacramento, e a veneravel imagem da Senhora, que lhe da o nome: noz
coletraes se venera da parte do Evangelho a imagem do Senhor Sâo Pedro, e da parte da
Epistola a imagem de Nossa Senhora do Rozario; segue se mais da parte do Evangelho
hum altar com duas imagens de Sâo Thiago hum de pé, outro de cavalo, e logo por
baixo deste huâ capella com a invocasâo das almas; da parte da Epistola esta mais hum
altar com a invocasâo do Santissimo Nome de Jezus.
Ao parrocho desta freguezia se da o nome de reytor cura, que he aprezentado
pello Serenissimo Senhor Gram Prior: tem de congrua certa anualmente hu moyo de
trigo, vinte e quatro almudes de vinho á bica, meya carga de uvas para tinta

/p. 277/ tinta, e tres mil reis em dinheiro, que tudo lhe manda dar o mesmo Serenissimo Senhor;
e o povo lhe paga tambem outro moyo de trigo anualmente; e nâo tem mais
beneficiadoz, nem coadjutor, nem conventoz, hospital, ou Caza de Mizericordia.
He filial desta parrochia huâ ermida de Santa Eulalia situada fora desta aldea
para a parte do Norte em pequena destancia.
No dia dous de Fevereyro acode a devosâo de muntas pessoas a vizitar Nossa
Senhora da Luz, que se festeja no mesmo dia, e no de Santa Eulalia a doze do mesmo
mês tambem comcorrem muntas pessoaz á sua ermida, sem embargo de menoz pompa,
com que está ornada, ostentando oz romeyroz nesta vizita a sua mayor devosâo com
esta santa; porque de ordinario só vâo procurar o divertimento, que aqui se encontra; no
grande patrocinio da mesma Santa, a quem custumâo empenhar para com Deoz Nosso
Senhor naz queixas de ouvidoz.
Os frutoz desta aldea em mais abundancia he senteyo, e milho, que os seus
moradores cultivâo, por conta daz terras serem de aréas fracas, que nâo permitem a
cultura de trigo, que só fazem em terras de mais sustancia, que sâo aqui as menoz; e
tambem fazem aqui munto excellentes queijoz de ovelhas, a quem parese; que oz pastoz
fazem sua particular distinsão entre oz mais destas vizinhanças, que tambem não
desmerecem o nome de bons; porem de huns, e outroz o seu milhor uso he depois passar
o Verâo por elles, porque o calor oz apura de forma, que oz fáz de gosto especial, e por
arte se lhe introdúz huma cor carmezim, que oz faz agradaveis á vista.
He governada esta aldea pello juis de fora, e camera de Villa do Cratto, que
todoz oz annoz lhe nomeâo hum homem de qualida

/p. 278/ qualidade plebeya para juis chamado da vintena, que tem a jurisdisâo limitada, que a ley lhe faculta; e nâo tem
outra alguma qualidade esta povoasão mais que de aldea do termo do Cratto, como fica
ponderado.
Haverá sesenta annoz faleçeo nesta freguezia Maria Dias Prezada natural da
mesma e se acha sepultada no lugar, em que hoje existe o confissionario, a quem a terra,
e oz annoz nâo tem consumido o seu cadaver, como dizem todoz os naturaes: hera
pessoa conhecida per virtuoza, dotada de excellente caridade para com oz pobres, a
quem favorecia com esmolas correspondentes aoz bens, que possuia, e se exercitava em
outras mais obras de virtude, que a fazem prezumir possuidora da eterna bem
aventurança. Tambem he natural desta freguezia o Doutor Manoel Dias Maninho
presbitero do habito de Sâo Pedro graduado na sagrada theologia em a Universidade de
Coimbra, que foi insigne na sua faculdade, e com piedozo zelo instituio na mesma
freguezia a cappella das almas de que já fis mensâo em seu lugar, faleçeo com
sentimento universal da patria a vinte, e oito de Abril de mil seiscentoz, e oitenta.
Tambem he natural desta freguezia Manoel Dias Delicado, que sahindo da patria
desfavorecido da fortuna, o seu procedimento lhe deu milhoras a esta falta fazendoo
distinto pello seu valor no servisso de Sua Magestade, e exercicio das tropas militares,
em que asentou praça de soldado, e de prezente se acha premiado o seu merecimento
com o posto de cappitâo de cavaloz no regimento de Dragõens da guarnisâo da praça da
Cidade de Evora.
Fica distante esta aldea da sua capital Villa do Cratto huâ legoa, e trinta da
Corte de Lixboa capital do reyno.
No terre

/p. 279/ No terremoto do anno de mil setecentoz, e sincoenta e sinco não
padeçeo esta freguezia ruina concideravel, e só a tiverâo os telhadoz da igreja matris,
que ainda nâo puderâo ter reparo por estar o povo munto pobre.
No lemite desta freguezia não há serra, de que haja de fazer mensâo; nem
tambem rio de nome conhecido, só tem huâ legoa distante da mezma com pequena
corrente, curso quieto por cauza daz planicies, que cortâo as suas agoas do Nascente
para o Poente, aonde cria huâ especie de peixes pequenoz chamadoz =pardelhas= e
alguns bordáloz, que se fazem apetecidoz pella propriedade, com que servem para as
consuadas; nella se conserva huâ ponte de páo junto a Flor da Roza ao canto da tapada
de Nossa Senhora, e caminho que vem para esta aldea; mais a baixo em pouca distancia
tem outra ponte de pedra chamada =a de João Peres= na estrada, que vai da Villa do
Cratto para a aldea do Chamiso, e junto della dous moinhoz destinadoz para fazer
farinhas no tempo do Inverno, em que sómente se conserva a sua corrente. Tem
outra ribeira ainda mais pequena, que se faz de muntoz ribeiroz perto desta aldea, que
tambem corre do Nascente para o Poente; e logo junto desta aldea tem huâ ponte de
pedra no caminho que vay para Flor de Roza, e Cratto, e mais a baixo hum quarto de
legoa tem hum moynho de fazer farinhas, a que chamâo o moynho da Coutada, e ribeira
da Nave da Caldeyra: juntâose estas duas ribeiras meya legoa distante desta aldea, na
estrada, que vem da Villa do Cratto para a de Abrantes, aonde já chamâo =a ribeira
de

/p. 280/ de Cujancas, e ahi tem huâ bem feita ponte de pedra, a que chamâo = a ponte
de Cujancas; e em pouca distancia perde o nome, porque chegando ao lemite de Aldea
da Matta já tem o nome =de ribeira da Vargem=

E ao que se me offereçe dizer a Vossa Senhoria a respeito doz referidoz
interrogatorioz, deixando no sileencio aquelles, a que nâo tenho resposta, que possa dar;
a vista de tudo Vossa Senhoria mandará o que for servido. Val do Pezo 5 de Outubro de
17591.


O Reitor Cura Jozé Nunes Fidalgo.
[Assinatura autógrafa]

(1) Sublinhado no original.

Transcrição: Lígia Duarte

1759 Outubro 8 - Nossa Senhora dos Mártires
Memória Paroquial de Nossa Senhora dos Mártires, Crato
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 10, nº 228, pp. 467 a 470]

/p. 467/

N 73


Respondo ao que se me perguntta
1.º Intterrogattorio Fica a freguezia de Nossa Senhora dos Martires na Provinsia do Alenteio do
termo e comarqua do Cratto=
2.º He do Serenissimo Senhor Inffante dom Pedro de prezentte=
3.º Tem noventta vezinhos, e trezenttas e sincoentta pessoas=
4.º Esta situada em campina discobrem ce quatro povoassões, a saber, Cratto, Flor
da Roza Aldeja do Val do Pezo, e Aldeja de Alagoa que distam huma legoa=
5.º Nam ha que dizer=
6.º A parrochia estta separada em campina sem vezinhanssa, tem tres lugares a
saber o Monte de Ordem, Monte da Velha, e Monte Pizam,=
7.º O seu orago he Nossa Snrª. dos Martires tem tres altares hum da mesma senhora
outro de Sto. Antonio outro do Senhor Jessus nam tem nave alguma a igreja, tem
quatro irmandades a saber huma de Nossa Senhora, outra do Senhor Jessus,
outra de Santo Antonio, outra do menino Deos=
8.º O parrocho he cura aprezentado pello Senhor Inffante dom Pedro tem de renda
dois moios e mejo de pão, e huma pipa de vinho.
9.º Nam ha que dizer=
10.º Nada=
11.º Nada=
12.º Nada=
13.º Tem quatro hermidas huma da Senhora do Pilar, cita na herdade da Cruciejra
outra da Senhora da Concejpssão cita na herdade de Manoel da Costta outra de
Sam Vicente Ferrejra na herdade do Matto

/p. 468/ do Matto do Silva= outra no Amexial de São Vicente Ferrejra todas na mesma
freguezia de Nossa Senhora=
14.º Nam ha que dizer=
15.º Os fruttos que ha na ditta freguezia pam=
16.º Esta sugeita a justissa da villa do Cratto.
17.º Nam ha que dizer=
18.º Nada=
19.º Nada=
20.º Não tem correjo e servesse pello do Cratto e dista hua legoa=
21.º Dista hua legoa ao Cratto e trinta e duas de Lisboa=
22.º Nada=
23.º Nada=
24.º Nada=
25.º Nada=
26.º Nada=
27.º Nada=
No que respeita as serras desta freguezia he o seguintte=
1.º Ha huma que se chama a de Copinhos=
2.º Que tera de comprimento hum quarto de legoa e outra tanta largura principia de
fronte do Monte da Rua de Castro e acaba nas paredes da herdade de Almojanda
que he termo de Portalegre=
3.º Nam ha nada=
4.º Nada=
5.º Ha perto della o Monte da Rua de Castro e a herdade da Cruciejra=
6.º Nada=
7.º Nada
8.º Consta de carvalhejros e zambugeiros e em parte della se cultiva pam=

/p. 469/ 9.º Nada=
10.º He quente=
11.º Se concerva na dita serra alguma caça de perdizes coelhos rapozas=
12.º Nada=
13.º Nada=
No que respeita ao rio he o seguinte
1.º Nam [sic] rios de nomes mais do que duas rebeiras huma que s[e] chama do
Xocanal e outra da Rua de Castros [sic] que tem esta o seu principio ao pe do
Monte da Rua de Castro, e a outra tem seu princepio no Monte Dordim=
2.º Nam comservão agoa corrente senão de Inverno=
3.º Nada=
4.º Nada=
5.º Nada=
6.º Correm do Nassente para o Poente=
7.º Comserva alguas pardellas e bordallos e enguias=
8.º Nada=
9.º Nada=
10.º Nas vargẽs destas ribeiras se cultivão alguns feijoais e melanciais=
11.º Nada=
12.º Sempre comserva os mesmos nomes na distancia desta freguezia=
13.º Morrem na ribeira de Seda ao pe da villa do Cratto=
14.º Nada=
15.º Nada=
16.º Nada=
17.º Nada=
18.º Nada se uza=
19.º Donde nassem athe se meterem na ribeira a soma tem huma legoa1
1 Sublinhado da época.

/p. 470/ Nam ha nada que dizer de couza notavel.

E por verdade me asignes nesta freguezia de Nossa Senhora dos Martires hoje 8 de
Outubro de 1759.

O cura emcomendado Francisco Xavier de Cravalho [sic].
[Assinatura autógrafa]

No que respeita aos rios decllaro que por esta minha freguezia passa huma ribeira
chamada a de Seda que tem o seu nassimento das agoas que vem das ruas da cidade de
Portalegre a qual seca de Verão e concerva varios pegos onde se crião qualidades de
pexes como são bordallos, pardellas, emguias, peceẽns e barbos de sinco seis arrateis
donde vão pescar alguns curiozos pescar tanto de Inverno como de Verão, e corre do
Nasssente [sic] para o Poente he o que posso declarar e me asino dia mês anno era ut
supra.

O Cura emcomendado Francisco Xavier de Cravalho [sic]
[Assinatura autógrafa]

Transcrição: Lígia Duarte

1759 Outubro 6 - Monte da Pedra
Memória Paroquial de Monte da Pedra, Crato
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 201, pp. 1507 a 116]

/p. 1507/


N.º 201

Senhor.


Vossa Magestade me ordena responda aos interrogatorios impressos, declarados em o
papel, que se me entrega; e satisfazendo reverentemente ao mandado de vossa
Magestade, respondo o seguinte.


Ao primeiro interrogatorio


Esta terra fica na provincia do Alentejo, pertence ao Grão Priorado do Cratto nullius
diocesis, ahonde o seu prellado, que se chama provizor, e vigario geral no espiritual, e
temporal, tem jurisdiçam quasi episcopal; emquanto á correiçam do provedor, pertence
á comarca da cidade de Portalegre, e emquanto á correição do corregedor, pertence á
comarca da ouvidoria da villa do Cratto: não pertence esta terra a freguezia alguma,
porque he freguezia sobre si, e chama se o Monte da Pedra, e he da sagrada religião de
Malta.


Ao segundo.


O donatario desta terra he o Grão Prior do Grão Priorado do Cratto, e de prezente he
Grão Prior o Serenissimo Senhor Infante de Portugal o Senhor Dom Pedro.


Ao terceiro


Este Monte da Pedra tem sessenta e hoito vezinhos, que constão de duzentas e cincoenta
e cinco pessoas; e a freguezia toda tem noventa e hum vezinho, que constão de trezentas
e vinte e tres pessoas.


Ao quarto


Esta terra está situada

/p. 1508/ situada em a meia costa de hum pequeno monte para a parte do norte, quazi nas
margens de huma ribeira. Descobre se desta terra para a parte do nascente a cidade de
Portalegre, que dista desta terra quatro legoas: tão bem se descobre para o mesmo
nascente o Monte Chamisso, e dista desta terra meia legoa.


Ao quinto


Esta freguezia não tem termo seu, porque pertence ao termo da villa do Cratto; porem
tem lemite seu, e separado dos lemites das demais freguezias; comprehende em si tres
aldeyas, excepto este Monte da Pedra, huma das quais se chama o Monte do Sume, o
qual tem dezasepte vezinhos, que constão de quarenta e quatro pessoas, e dista deste
Monte da Pedra para o poente duas legoas.
Chama se o Monte do Sume porque está situado junto a huma ribeira, que se
chama Sor, e posto que esta agua, comtudo, por muitas que sejam as agoas, todas se
somem, e se metem neste sitio do Sume por baixo de huma safra, e vam sahir na
distancia de cento e vinte, ou cento e cincoenta passos, sem se ver agoa, mais que tão
somente ouvir se o estrondo, e eco, que vai fazendo a agua por baixo da safra, a qual
serve de ponte para em todo o tempo se passar a ditta ribeira de Sor a pé enxuto; e daqui
tomou aquella aldeya o nome do Monte do Sume.
A segunda aldeya que comprehende em si esta freguezia do Monte da Pedra
chama se o Cazal de Folgão Palha, que tem dois vezinhos, que constão de des pessoas;
dista deste Monte da Pedra para a parte do poente legoa e meya. A terceira aldeya, que
comprehende em si esta mesma freguezia do Monte da Pedra chama se o Monte de
Franquino, o qual tem quatro vezinhos, e constão de quinze pessoas; dista deste Monte
da Pedra para a parte do sul meya legoa.


Ao seixto


O parochial desta freguezia assiste, e está dentro deste Monte da Pedra; e nesta
freguezia não ha mais que as tres aldeyas acima nomeadas que são

/p. 1509/ sam o Monte do Sume, o Monte de Folgam Palha, e o Monte de Franquino.


Ao septimo


O orago desta freguezia ao prezente he Nossa Senhora da Conceição; tem esta igreja
somente tres altares, que vem a ser o altar mor, que he o da Senhora da Conceição, em o
qual estão em seus nichos ao lado direito Sam Tiago, e ao lado esquerdo Sam
Bartholomeu apostolos. O segundo altar, he coletral da parte direita chama se o altar de
Nossa Senhora do Rozario, ahonde está em huma tribuna de madeira, e dourada a
imagem de Nossa Senhora do Rozario, e ao lado direito está Sam Caetano, e ao lado
esquerdo está o martir Santo Sebastiam. O terceiro altar tãobem he coletral, está da parte
esquerda chama se o altar do Senhor Jezus Crucificado, ahonde está em hum retabolo de
madeira pintado a jmagem de Nosso Senhor Jezus Christo Crucificado, e ao pe da crux
etá o protomartir Santo Estevão.
Esta igreja tem somente huma nave e ha somente tãobem nesta igreja huma
confraria ou irmandade, que se chama a do Senhor Jezus Crucificado.
Antigamente era esta igreja a do lugar do Sourinho, e o orago era Nossa Senhora
com o titolo de Santa Maria; porem dezertarão os moradores aquelle lugar, que dista
desta terra para o poente meya legoa, ahonde ahinda hoje existem os fundamentos dos
edeficios, que estão em terra da sagrada relegião de Malta.
A razão, e motivo, que se dis, tiverão os moradores para dezempararem aquelle
lugar, e povoaçam do Sourinho, forão humas fantasmas, que tão bem se diz ali
apparecião, e intimidados dellas os moradores, forão obrigados a dezemparar aquelle
lugar, e constetuir a freguezia em este Monte da Pedra, em huma ermida de Santiago,
que aqui estava, e por isso ahinda hoje os moradores conservão a imagem de Santiago
em o altar mor ao lado direito.
Neste lugar do Sourinho, se diz, moravão, e assistião muitos cavalleiros, que se
chamavão os cavalleiros da Espora Dourada, os quais, por tradicão se diz, que se
extinguirão, e morrerão na seguida
/p. 1510/ na seguida, que fizerão a El Rey Dom Sebastiam para as guerras: porem como com os
incendios se consumirão os livros, e papeis antigos, não ha hoje outra certeza mais que
tão somente a tradição; e a pouca curiozidade faz muitas vezes ficar as coizas em
esquecimento.
Chama se a esta terra o Monte da Pedra pela notabelidade de duas pedras, que
estão no seu lemite; huma chama se o Penedo Gordo, que está junto a esta terra na
distancia de cento e cincoenta passos pouco mais ou menos, ahonde os moradores deste
povo ajuntão no Verão todo o pão em palha, e ali o fabricam, e malhão com muito
commodo, porque podem no mesmo tempo andar seis lavradores tratando
separadamente cada hum do seu pam.
A outra pedra chama se a Lagem de Santo Estevão, a qual fica distante deste
povo a seixta parte de huma legoa para a parte do sul; esta está em huma planice com
alguñs cabeços pequenos de redor inclinado para o sul; porem he tão plano, que
porqualquer parte se pode entrar, e sahir della; tem de comprimento cento e septenta
passos pouco mais ou menos; e de largura tem noventa passos, pouco mais ou menos.
Para os seus naturais exagerarem a grandeza, e singularidade desta pedra, ou lagem,
dizem, que se podem em hum mesmo tempo fazer em ella quatorze malhas. Chama se
lhe a Lagem de Santo Estevão, porque está perto de hum cazarão, que era antigamente
ermida de Santo Estevão, que se acha hoje colocado na igreja desta freguezia, e he de
quem se faz mensão no interrogatorio treize, ut infra.


Ao oitavo


O parocho desta freguezia he reyttor cura, he apprezentado, e nomeado pelo Grão Prior
do Grão Priorado do Cratto, e colado pelo doutor provizor prelado do ditto Grão
Priorado do Cratto; tem de renda dois moyos de trigo, huma pipa de vinho á bica, tres
alqueires de azeite, e tres mil e quinhentos reis em dinheiro; o que tudo reduzido a
dinheiro, valerá huñs annos por outros a quantia de cincoenta mil reis, pouco mais ou
menos; tem mais humas cazas terreas de rizidencia, e tem as miudezas dos dizimos, e
valerão estas duas parcellas dez mil reis, que juntos á quantia acima, vem a somar toda a
rrenda, que tem o parocho nesta freguezia em sessenta mil reis pouco mais, ou menos

/p. 1511/ ao menos.


Ao nono


Não tem beneficiado algum, mais que tão somente o parocho.


Ao decimo


Não tem convento algum de relegiozos, ou relegiozas.


Ao undecimo


Não tem hospital.


Ao duodecimo


Nam tem Caza de Mizericordia.


Ao decimo terceiro


Esta freguezia tem somente a ermida de Santo Antonio do Machial, que fica fexa [?] da
parochia meya legoa para a parte do poente, e pertence ao povo o seu reparo, porque
não tem fabrica . Tinha outra ermida do protomartir Santo Estevam, que se acha
demolida ha mais de trinta, e quarenta annos.


Ao decimo quarto


Por todo o anno costumão os freguezes desta freguezia ir em romaria á ermida de Santo
Antonio, principalmente nos Domingos, e dias Santos; e no dia treize de Junho, em que
a igreja celebra a festa de Santo Antonio de Lisboa, que commummente [sic] se chama
de Padua costuma ir a mais da gente desta freguezia, e das freguezias circumvezinhas
em romaria a ermida do mesmo gloriozo Santo Antonio.


Ao decimo quinto


Os fruitos que os freguezes desta freguezia recolhem em mayor abundancia, he senteio.


Ao decimo seixto


O juis desta

/p. 1512/ O juis desta terra he juis padano, e governa se esta terra pela justiça da villa do Cratto,
em cujo termo está.


Ao decimo septimo


Não he esta terra couto, cabeça de conselho, honra, ou behetria.


Ao decimo oitavo


Não ha memoria que em ella florecessem, ou della sahissem alguñs homeñs insignes
por virtudes, letras, ou armas.


Ao decimo nono


Nam tem feira alguma.


Ao vigesimo


Nam tem correio, e so se serve do estafetta da villa do Cratto; e dista esta terra da villa
do Cratto duas legoas.


Ao vigesimo primeiro


Esta terra dista da villa do Cratto, capital do Grão Priorado do Cratto duas legoas; e
dista da cidade e corte de Lisboa capital do Reyno trinta legoas, outros contão trinta e
duas legoas.


Ao vigesimo segundo


Esta freguezia he a mais antiga de todas as freguezias do termo da villa do Cratto, e
mostra se pelo uso, que ahinda hoje se observa em as funçoiñs publicas como são
procissoiñs de preces, em que se costumão ajuntar todas as freguezias deste termo com
a sua matrix, e sempre esta freguezia costuma ir ao pe da sua matrix, que he a villa do
Cratto.


Ao vigesimo terceiro


Na distancia da seixta parte de huma legoa deste Monte da Pedra para a parte do norte,
quazi no fundo da ribeyra, que corre junto deste mesmo Monte da Pedra, ahonde ella se
mete em a ribeyra de Sor, lemite deste monte, no sitio chamado as Enterqueiras

/p. 1513/ Enterqueiras, está huma fonte, cuja agoa cheira tanto a enxofre que senão pode beber; e
gasta tão depressa o alimento, que quem a bebe logo tem fome, e serve para curar huma
enfermidade, que se chama sarne, e tem sucedido a muitas pessoas, que so de se
lavarem com a agoa da ditta fonte; sararam sem mais algum medicamento.


Ao vigesimo quarto


Não ha que dizer a este interrogatorio.


Ao vigesimo quinto


Tãobem a este interrogatorio não ha que dizer.


Ao vigesimo seixto


Nem a este interrogatorio ha que dizer.


Ao vigesimo septimo


Não ha que dizer a este interrogatorio mais que o que está ditto aos interrogatorios
septimo, e vinte dois, ut supra.


Não ha em esta terra serra, de que possa dar noticia a Vossa Magestade.

Noticia do rio desta terra.


Ao primeiro interrogatorio


Junto desta freguezia corre huma ribeira, que devide com o seu curso o lemite desta
freguezia do lemite da freguezia da Comenda termo da villa de Belver deste Grão
Priorado do Cratto servindo de metta a ambas as freguezias; esta ribeira chama se Sor;
tem seu principio em o lemite de hum povo, que se chama Alagoa, que he do termo, e
bispado da cidade de Portalegre.


Ao segundo


Não principia caudalozo, nem corre todo o anno; porque ate esta freguezia não corre de
Verão, porem desta freguezia para baixo corre todo o anno.


Ao terceiro


Entrão em esta


/p. 1514/ Entrão em esta ribeira outras mais pequenas, que de Inverno lhe communicão muita
agoa; dos quais a primeira, que entra na ditta ribeira de Sor, se chama a ribeira do
Caldeireiro, e outros lhe chamão a ribeira da Granja, a qual entra na mesma ribeira de
Sor no sitio chamado o Aguilhão, que he do termo da villa de Gaffete deste mesmo
Priorado. A segunda ribeira, que entra na ditta ribeira de Sor, he a que chamão a ribeyra
do Monte da Pedra, a qual entra na mesma ribeira de Sor no sitio chamado a Bica, he
lemite desta freguezia. A terceira ribeira que entra na mesma ribeira de Sor he a que se
chama a ribeira dos Valles, a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o
Sourinho, que he lemite desta freguezia; a quarta ribeira, que entra na mesma ribeira de
Sor he a que se chama a ribeira de Sam Payo, outros lhe chamão a ribeira de Sipilheira,
a qual entra na ditta ribeira de Sor no sitio chamado o Forneco, que tãobem he lemite
desta freguezia.


Ao quarto


Esta ribeira de Sor não he navegavel pelas muitas pedras, e safras que tem em todo este
lemite nem embarcação alguma pode andar nesta ribeira em todo este lemite, posto que
em alguñs tempos pela muita agoa que leva não dá passagem a niguem.


Ao quinto


He de curso muito arrebatado em todo o lemite desta freguezia.


Ao seixto


Esta ribeira chamada Sor corre do nascente para o poente; e todas as ribeiras declaradas
no interrogatorio terceiro, que sam as que se metem na ribeira de Sor, correm do sul
para o norte.


Ao oitavo


Em esta ribeira de Sor não se fazem pescarias, so sim se se [sic] fazem por
divertimento; porem não tem tempo certo, mas o mais comum he de Verão por cauza
das agoas serem de Inverno muito frias, e arrebatadas.


Ao nono


Nesta ribeira de Sor em todo este lemite, pesca livremente quem quer.


/p. 1515/ quem quer.


Ao decimo


No limite desta freguezia do Monte da Pedra poucas margeñs desta ribeira de Sor se
cultivam; porque he tão fragozo, que em poucas partes se descobre terra para esse
effeito, porem se em alguma se descobre terra, e he capaz, cultiva se; e tem esta ribeira
de Sor bastante arvoredo que dá fruto, como he = azinho, carvalho, e soro; e silvestre
tem pouco.

Ao undecimo


Não ha que dizer a este interrogatorio.


Ao duodecimo


Esta ribeira de Sor desde honde principia ate Curuche chama se Sor, e de Curuche ate
Benevente chama se a ribeira de Curuche, outros chamam lhe Sorraya, e outros lhe
darão diversos nomes, mas ao prezente so destes me consta.


Ao decimo terceiro


Esta ribeira de Sor morre em o rio Tejo em a villa de Benevente.


Ao decimo quarto


Sendo esta ribeira de Sor no seu curso tão arrebatada, e principalmente em o lemite
desta freguezia; se encontra em ella muita cachoeyra; porem a mayor he a de que se faz
mensão no interrogatorio quinto da noticia desta terra, pelo que he impossivel fazer se
navegavel, ahinda em tempo de abundancia de agoa.


Ao decimo quinto


Não consta que esta ribeira de Sor tenha mais que duas pontes, huma em a villa de
Tholoza, e he de cantaria, e a outra em o lemite desta freguezia no sitio chamado o
Sourinho, a qual está demolida, e so agora existem os dois arcos principais della, e elles
testeficão a grandeza, e eminencia da ponte, a qual tãobem era de cantaria, porque os
dois arcos que ahinda hoje existem, conservão os seus fexos ahinda direitos, e ahinda
hoje, quando a ribeira leva muita agoa, passa gente por ella a pe enxuto.


Ao decimo seixto


Esta ribeira de Sor


/p. 1516/ Esta ribeira de Sor não tem no lemite deste Monte da Pedra mais que tão somente hum
moinho.


Ao decimo septimo


Não ha noticia alguma que nas aréas desta ribeira de Sor se tira se em algum tempo
ouro, nem ha memoria de tal coiza, e muito menos ha noticia, que no prezente tempo se
tire ouro em suas aréas.


Ao decimo oitavo = Não uzão os povos de suas agoas.


Ao decimo nono


A ribeira de Sor desde honde principia, que na aldeya da Alagoa, como ja se dice no
primeiro interrogatorio, ate honde acaba que he na villa de Benevente, como ja se dice
no interrogatorio decimo terceiro, tem tem [sic] de distancia vinte legoas \segundo se
diz\ e os povos por honde passa sam os seguintes = principia em Alagoa, e passa por
entre os termos das villas de Alpalhão, e Gaffete, e dahi vem passar junto da villa de
Tholoza, e vem passar junto desta freguezia, corre junto do Monte do Sume; como se
dice no interrogatorio quinto, da noticia desta terra, corre junto da Torre das Vargeñs,
que he coutada do Marques de Fronteira, e vai correr junto da villa da Ponte de Sor, e
dahi vai correndo ate chegar a Montrangil juncto [sic] de quem corre, e vai correr
tãobem junto de Curuche, e finalmente passa á villa de Benevente ahonde, se diz, morre
no rio Tejo.


Ao vigesimo = Não ha que dizer; nem a todos os mais expressados, e incluzos no papel.

Tenho dado noticia a Vossa Magestade de tudo o que pude alcançar, e se alguma
coiza vai menos fiel, he falta das informaçoiñs que se medirão, Vossa Magestade
mandará o que for servido. Monte da Pedra de Oitubro seis de 17591.


O reyttor cura Frey Manoel Dias Laberão de Almeyda [Assinatura autógrafa]

(1) Sublinhado no original.

Transcrição: Lígia Duarte

 

1759 Outubro 6 - Monte Chamiço
Memória Paroquial de Monte Chamiço, Crato
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 24, nº 195, pp. 1419 a 1422]

/p. 1419/

N. 195


Senhor


Satisfazendo a ordem de Vossa Magestade reverentemente respondo aos interogatorios
o seguinte.


1 Esta terra fica na provinçia do Alentejo pertençe ao Priorado do Cratto a
comarca da ouvedoria pertençe a comarca do Cratto, e da provedoria a
comarca de Portalegre.


2 Esta freguezia tem vinte, e sinco vezinhos, e pessoas oitenta, e huma.


3 Esta terra he do Gram Prior do Gram Priorado do Cratto, e de prezente he
seu Gram Prior o Senhor Dom Pedro Infante de Portugal.


4 Esta terra esta situada em hum oiteiro para a parte do sul descobrese della
pela o [sic] nasente a cidade de Portalegre que dista tres legoas e meia, e para
o poente descobreçe o Monte da Pedra que dista meia legoa.


5 Esta freguezia não tem termo seu pois esta no termo da villa do Cratto porem
tem lemite seu diversso das mais freguezias não compreende aldeia alguma.


6 A parochia desta freguezia esta fora do povo proxima as cazas, e não tem
lugar ou aldeia alguma como esta dito.

/p. 1420/ 7 O orago desta freguezia he o martir Sam Sebastiam tem quatro altares que
sam o altar mor, e de Nossa Senhora do Rozario de Sam Marcos, e do
Senhor, não tem mais que huma nave tem tres irmandades de Nossa Senhora
do Rozario do Senhor e das Almas.


8 O parocho desta freguezia he cura he aprezentado pello Gram Prior do Gram
Priorado do Cratto tem de renda dois moios de trigo, e vinte, e quatro
almudes de vinho a bica, tres alqueires de azeite e dois mil reis em dinheiro
que tudo vira a somar a quantia de quarenta e seis mil reis.


9 Não tem benefiçiado algum esta freguezia porque não tem senão o parocho.


10 Não tem convento de relegiozo ou relegiozas.


11 Não tem Hospital.


12 Não tem Caza de Mizericordia.


13 Não tem ermida alguma.


14 Não tem dia determinado para romagem.


15 Os frutos que os moradores desta freguezia recolhem em maior abundancia
he santeio.


16 O juis desta terra he juis pedaneo, e governaçe pella justissa do Cratto.


/p. 1421/ 17 Não he esta terra couto cabeça de conselho ou behetria.


18 Não ha memoria que desta terra sahisem ou nella floresesem homens
insignes por vertudes letras ou armas.


19 Não tem esta terra feira alguma.


20 Não tem coreio e so se serve do estafeta do Cratto que vai buscar as cartas a
cidade de Portalegre.


21 Esta terra dista da villa do Cratto huma legoa e da cidade de Lisboa trinta
legoas e meia.


22 Não ha que dizer a este interogatorio.

Aos mais interogatorios não tenho que responder porque não ha nesta terra serra
alguma nem, rio de que possa dar conta a Vossa Magestade que ordenara o que for
servido. Monte Chamisso de Outubro seis de 1759.

O Cura Antonio Nunes [assinatura autógrafa]

/p. 1422/ [Página em branco]

Transcrição: Lígia Duarte


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