Memórias Paroquiais

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1758 Abril 12 - Santana de Cambas
Memória Paroquial de Santana de Cambas, Mértola.
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 8, n.º 58, pp. 351 a 354]

 


Relaçam desta terra


[1] Respondendo ao primeyro interregatório na forma que se me ordena, digo que esta
terra he hum lugar chamado aldeya de Sancta Anna de Cambas, da província do Alem-
Tejo, arcebispado de Évora, comarca do Campo de Ourique, termo de Mertola e
freguezia de Sancta Anna de Cambas.


[2] Ao segundo, digo que he de donatarios que no prezente he, digo, que he d’El Rey
Nosso Senhor.


[3] Ao treceiro digo, que consta de outenta e nove vezinhos, e há trezentos e sincoenta e
seis pessoas, e toda a freguezia de trezentos e sinco vezinhos, e de 890 pessoas.


[4] Ao quarto respondo, que está situada em hum alto pouco levantado, e se não
descobre della povoação algua.


[5] Ao quinto digo que não tem termo seu.


[6] Ao sexto digo que parte desta freguezia está dentro desta aldeya, como tãobem a
mesma igreja, e parte fora, porque se compoem desta aldeya, e de treze lugares, a saber:
aldeya de Sancta Anna e Eytados; Giraldos; Magros; Sapos; Moriannes; Serralhos;
Costa; Alv(a)res; Picoytos; Fermoa; Salgueyros; Morenos; Bens; que todos constão de
trezentos e sinco vezinhos.


[7] Ao setimo digo, que o orago desta Igreja he a Senhora Sancta Anna e que tem sinco
altares, o altar-mor, o altar do Rozario, o Sancta Catherina, das Almas, o de Nossa
Senhora dos Remedios; e que tem três naves e seis colunas, e três irmandades, a saber: a
irmandade das Almas, a de Nossa Senhora do Rozario, a do Santissimo Sacramento.

[8] Ao ouctavo digo que o parocho he cura, e he aprezentado pello Excelentissimo
Senhor Arcebispo de Évora, e tem de renda três moios de trigo e hum de cevada.

[9, 10, 11, 12] Ao nono, decimo, undecimo e duodecimo digo, que não (tem)
beneficiados , nem convento algum , nem hospital , nem Caza da Mizericordia.

[13] Ao decimo treceyro digo que fora desta aldeya há duas ermidas, a saber: hua de
Sam Bento e outra de Sam Domingos, que pertencem ambas a esta igreja.

[14] Ao decimo quarto digo que sucede algumas vezes irem os fieis fazer romagem mas
não tem dias detreminados.

[15] Ao decimo quinto digo que a maior abundancia de fructos que se recolhem nesta
terra sam trigos e sevadas e senteyos.

[16] Ao decimo sexto digo que não tem Juiz ordinario nem Camara, mas que está
sujeyta ao governo da justiça de Mertola.

[17, 18, 19] Ao decimo setimo e decimo ouctavo e decimo nono digo que não he
couto nem cabeça de concelho nem há memoria de que florecessem nela homens
alguns insignes por vertudes, letras ou armas , e que nela se não faz feyra alguma.

[20] Ao vigecimo digo que não há nela correyo e que se serve com o correyo de
Mertola.

[21] Ao vigecimo primeiro digo que dista de Évora, cidade capital do arcebispado
dezacete legoas, e de Lisboa trinta.

[22] Ao vigecimo segundo digo que não tem previlegios nem couzas dignas de
memoria.

[23] Ao vigecimo terceyro digo que não há fonte alguma nem lagoa.

[24] Ao vigecimo quarto digo que não he porto de mar.

[25] Ao vigecimo quinto digo que não he terra murada, nem praça de armas nem tem
castelo algum nem torre antiga.

[26] Ao vigecimo sexto digo que não pedeceo ruina alguma no terremoto de 1755.

[27] Ao vigecimo setimo digo que não há couza digna de memoria.
Relaçam desta Serra

[1] Respondendo ao premeyro interrogatório digo que esta serra se chama serra de Sam
Domingos.

[2] Ao cegundo digo que terá de comprimento hum quarto de legoa e o mesmo de
largura e prencipia na portela a que se chamão das Ferrarias e acaba no pego do Servo.

[3] Ao terceyro digo que não tem coza de que se faça menção.

[4] Ao quarto digo que não nasce dela rio algum, e só sim corre por ela cá pelos baos
(sic) dela hum ribeyro que corre pera o meyo dia e vay feneçer em outro a que chamão
Chumbeyro.

[5] Ao quinto digo que nesta serra nem ao longo dela há vila ou lugar algum.

 

[6] Ao sexto digo que no seu districto há hum pego que conçerva // agoa todo anno, que
tem vertude pera curar sarna asim há gente como aos gados, a que chamão pego de Sam
Domingos por estar próximo a huma ermida de Sam Domingos.

[7] Ao septimo digo que nesta serra ouve antigamente minas de metaes e de prata pelo
que mostra asim em varias covas que se achão na dita serra, como por outros signais
que se devisão nela.

[8] As outavo digo que não consta de plantas algumas senão de matos e que se não
cultiva nem dá fruto algum.

[9] Ao nono digo que junto da serra está huma ermida com a imagem de Sam
Domingos, onde vão algumas peçoas e juntamento para se lavarem no pego asima dito a
que chamão pego da sarna ou de Sam Domingos.

[10] Ao decimo digo que de veram he mui cálida e de inverno muito fria.

[11] Ao undecimo digo que nela se cria alguma caça meuda como perdizes e coelhos.

[12] Ao duodecimo digo que não tem lagoa alguma nem fojos notaveis.

[13] Ao decimo terceyro digo que não tem mais couza alguma digna de memoria.

[Rio]

[1-20] Para satisfazer aos últimos vinte interrogatórios respondo que nesta terra e
freguezia não há rio algum. E só há huma rebeyra ha que chamão a rebeyra de Chança,
que devide Portugal de Castela, que tem o seo naçimento em huma fonte do lugar de
Cortegana, Reino de Castela, que dista desta freguezia treze legoas. E vai feneser no rio
de Guadianna, na distancia de duas legoas desta aldeya , que corre do norte ao sul e que
de Verão se seca ficando só alguns pegos em algumas partes dela, excepto onde entra
nela a maré do rio de Guadianna. Cria algum pexe e o que tem em mais abundançia
se chamão picois, que na Primavera se pescam com algumas redes, cujas pescarias são
livres e não consta que em tempo algum tiveçe outro nome. E no sitio desta
freguezia tem hum pizam, sinco moinhos de rodizios , e não tem mais couza algua digna
de memoria. //

Esta a noticia que posso dar sobre os interrogatórios incluzos na ordem de Vossa
Excellencia Reverendissima que o Nosso Senhor guarde.
Sancta Anna, 12 de Abril de 1758.
O Paroco Manoel Chanoia

 

 

Transcrição: Joaquim Ferreira Boiça e Maria de Fátima Rombouts Barros


BOIÇA, Joaquim Ferreira; BARROS, Maria de Fátima Rombouts – As Terras as Serras
os Rios: As Memórias Paroquiais de 1758 do Concelho de Mértola. Mértola: Campo
Arqueológico, 1995.

1757 Junho 12 - S. Sebastião
Memória Paroquial de S. Sebastião, Mértola
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 34, n.º 96, p. 759]

Excellentissimo e Reverendissimo Senhor:


[Terra] [Serra] [Rio]


[1, 21] Fica esta aldea de S. Sebastião no termo da vila de Mertola em destancia della
duas legoas, neste arcebispado de Évora, e fica destante da dita cidade vinte legoas, e da
côrte e cidade de Lisboa vinte e nove. Confina pello Nascente com a freguezia de S.
Bertholomeo da Viagloria, pella posteora(sic) com a freguesia de S. Miguel do
Pinheyro, e pello Norte com a freguezia de S. João.

[3, 4, 5, 6, 7, 15, 16, 20, 26] Há nesta aldea 18 moradores e dentro da mesma está sua
parochia em cuja igreja há três altares: o maior tem a imagem do Senhor S. Sebastião
orágo desta igreja, em hum de seus colatrais está a imagem de Nossa Senhora do
Rozário de que há hua confraria confirmada por Sua Real Magestade como Grão Mestre
que he da Ordem de Santiago da Espada, cujo provemento he do mesmo Senhor pello
Tribunal da Meza da Conciencia e Ordens, e em o outro colatral há hua imagen do
Santo Menino de que há tambem confraria confirmada na mesma forma.
He a arquetectura desta igreja disforme asim por falta de medição, como tambem por
estar formada em dois arcos que a atravessão, e nestes houve roina grande com o
sempre lembrado terremoto do primeiro de Novembro de 1775. E a mesma ao maior
está ameaçando porqua (a)té ao prezente senão tem reparado.

E há nesta freguezia noventa e seis fogos, e nestes pessoas maiores duzentas noventa e
duas e menores quarenta e três, todos em seis montes no circuito de meia legoa.

Está situada em campo porém algua couza montuozo.

Os frutos destas terras são trigos, sevadas e senteios, e destes vivem seus moradores
que são sojeitos às justissas da vila de Mertola, e se servem do seu correio.

E há alguas criançoens de gados.

[8] Tem esta igreja e freguezia hum só parocho, freire do hábito de Sant-Iago, e tem de
congrua dois moios de trigo, noventa alqueres de sevada e des mil reis em dinheiro,
pago tudo pella comenda de que he comendador o Excellentissimo Marquês de Govea
pello seu condado.

E he o que me parece tenho que dizer desta freguezia.

S. Sebastião 12 de Junho de 1757.

O parocho António Alvares Pereira

 

 

 

Transcrição: Joaquim Ferreira Boiça e Maria de Fátima Rombouts Barros

 

BOIÇA, Joaquim Ferreira; BARROS, Maria de Fátima Rombouts – As Terras as Serras
os Rios: As Memórias Paroquiais de 1758 do Concelho de Mértola. Mértola: Campo
Arqueológico, 1995.

1758 - S. Pedro de Sólis
Memória Paroquial de S. Pedro de Sólis, Mértola
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 35, n.º 206, pp. 1495 a 1496]

 

Excellentissimo e Reverendissimo Senhor:
Atendendo à ordem de Vossa Excellência Reverendissima para que responda aos
interrogatorios incluzos com a mesma, o faço na seguinte forma:


[Terra]


[1, 2, 3, 4, 5,] Esta freguesia de S. Pedro de Soles fica na provincia do Alentejo,
arcebispado de Évora, comarca de Campo de Ourique, termo da villa de Mertola. He de
Sua Magestade. Os vezinhos que tem são cento e outenta, o número das pessoas
quinhentos e sincoenta. Está situada a sua aldeya em huma campina e della senão
descobre povo algum.


[6, 7, 8] A parrochia está pouco fora do lugar, o seu orago he o Senhor S. Pedro. Tem
três altares. No mayor se acha colocada a imagem do mesmo Santo e huma da Senhora
da Saúde. Nos dous colatraes se achão huma imagem de Nossa Senhora do Rozário e a
de S. Sebastião, que ambas tem confraria; no outro tem três imagens, huma de S. Luis e
outras de Santo Antonio, cujas também têm confraria, mas advirto que só a de S. Pedro
e do Rozário são confirmadas.
A igreja não tem nave alguma. Tem o teto formado e(m) madeyra. O seo parrocho he
cura, a sua aprezentação he do Excellentissimo e Reverendissimo Senhor Archebispo de
Évora. Tem de renda dez quarteiros de trigo.

[13, 14] Fora da aldeya meya legoa, tem huma hermida, pertencente à mesma
parrochia, a qual tem a imagem de Santo André aonde acodem de per anno, algumas
romagens, mayormente no seo dia, em trinta de Novembro. //

[15] Os frutos que os moradores desta freguezia recolhem em mayor abundancia são
trigos, sevadas e senteyos.

[16, 18, 19] O Juiz da mesma he vintaneyro, está sojeito ao governo das justiças da villa
de Mertola. Não há memoria que nella florescessem homens alguns, em virtudes, letras
ou armas. Não tem feyra, porém no dia de S. Pedro se faz próximo á igreja huma
vigilia, e outra no dia de Santo André, junto a igreja do mesmo Santo, que cada huma
dellas não dura mais de duas horas e ambas captivas.

[20, 21] Dista esta freguezia vinte legoas da cidade capital do arcebispado, e trinta da
capital do reyno.

Não tem correyo e serveçe do que vem a Mertola, que desta freguezia à tal villa dista
sinco legoas.

[26] Não padeceo ruina alguma no terramoto de settecentos e sincoenta e sinco.

[9, 10, 11, 12, 17, 22, 23, 24, 25] Hos mais capitolos de que se não faz menção neste
interrogatório não há que dizer cousa alguma.

Seguinte Interrogatório

[Serra]

[1, 13] Não há nesta freguezia serra alguma porque a mayor parte de toda ella são terras
planas. As criações de gado que nella há são ovelhas, cabras, muito poucas vacas. A
caça em mais abundancia que nesta freguezia se obcerva são lebres, perdizes, alguns
coelhos, porém mui pouco. Não há mais que dizer neste interrogatorio.

Tercyro (sic) Interrogatório

[Rio]

[1, 20] No terceyro interrogatorio não há que dizer.

He o pello que respeita a esta freguezia posso informar a Vossa Excellência

Reverendissima.

O párroco Domingos Vaz Fortes

 

 

 

Transcrição: Joaquim Ferreira Boiça e Maria de Fátima Rombouts Barros

 

BOIÇA, Joaquim Ferreira; BARROS, Maria de Fátima Rombouts – As Terras as Serras
os Rios: As Memórias Paroquiais de 1758 do Concelho de Mértola. Mértola: Campo
Arqueológico, 1995.
3

1758 Junho 13 - S. Miguel do Pinheiro
Memória Paroquial de S. Miguel do Pinheiro, Mértola
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 29, n.º 183, pp. 1301 a 1305]

 

Resposta aos interogatórios incluzos pello que pertence a esta freguesia de Sam Miguel
do Pinheyro

[Terra] [Serra] [Rio]


1º Está cituada esta parrochia no termo de Mertola, comarca de Ourique, arcebispado de
Évora, provincia de Alentejo.

2º Pertensse esta parrochia ao conselho da villa de Mertola, de quem he donatário o
ilustriçimo Senhor Marquês de Gouvea.

3º Tem esta parrochia, ao prezente, trazentos e trinta e seis vizinhos e mil e duzentos
pessoas, entre mayores e menores.

4º Está cituada a parrochia em hua pequena altura, daonde somente se discobre algumas
cazas pertençentes à mesma parrochia.

5º Emquanto ao termo, e numero dos vezinhos já vay declarado, nos artigos primeiro e
treceyro.// Emquanto aos nomes dos citios dos montes e aldeas daonde abitão os
moradores sam os seguintes: aldea do Pinheiro; Monte Agudo; Barranco; Cassa Zorras;
Dos Goees; Vaqueiro; Manuel Gallo; Diogo Martins; Penedros; Montinho: Roncham;
Santa Anna; Monte da Corcha; Lobbato; Chadas, Corredoura; Negraxo; Alcaria do
Gato; Murteyra; Serranos; Fontes; Milhano; Marreiros; Monte do
Neves; Alcaria Longa; Malhõens; Monte Novo; Piliteira; Chanoca; Touril; Exparagoza;
Monte Velho; Castanhos; Pereyras.

6° Está cituada esta parrochia em lugar hermo. Emquanto ao mais que se contem neste  artigo, vai declarado no interogatório quinto. //

7° (O) orago desta parrochia he Sam Miguel e tem sinco altares: o altar-mor, Sam
Miguel; o altar collateral, Nossa Senhora do Rozario, otro collatral a Santo Nome de
Jejus: dois no corpo da igreja em correspondencia, hum das Almas e outro de Santo
Antonio. Tem a igreja sinco naves por cada parte. Hay (sic) duas hermandades na
Igreja, huma do Rozârio e outra das Almas.

8º O parrocho he cappelam curado da Ordem de Santiago e apresentação da mesma
Ordem, com dois moios de trigo de mantimento e trinta alqueres de sevada.

9º Tem ajudador posto pello Senhor Perllado Ordinário, com meio alquere de trigo de
cada vezinho de mantimento.

10° Neste interogatório nada

11º Neste interogatório nada. //

12° Neste interogatório nada.

13° Há nos lemites desta parroquia huma ermida de Santa Anna , cituada também em
lugar ermo.

14° Em todo o anno vem alguma gente de romagem a esta ermida, expicialmente no seu
dia próprio da festividade.

15° Os frutos da terra que se colhem nesta freguezia sam trigo, sevada e senteio, e
algum gado meudo.

16° Sujeita à justissa de Mertolla.

17° Neste interogatório nada.

18° Neste interogatório nada.

19° Neste interogatório nada.

20º Servesse esta freguezia com o correio de Mertolla que dista daqui três legoas. //

21º Dista esta parrochia da cidade de Évora, cappital do arsebispado, vinte legoas, e de
Lixboa, cappital do reyno, trinta legoas.

22º Neste interogatório nada.

23º Neste interogatório nada.

24º Neste interogatório nada.

25º Neste interogatório nada.

26º Padesseu a parrochia algum ditirimento do terremote nas naves da porta (sic) e
capella mayor por se abrirem os arcos alguma couza, o qual se não acha reparado ainda
até ao prezente porcer a igreja fabricada à custa dos freguezes e estarem estes muito
atinuados pellos annos maos e praga de gafonhotos.

27º Não há mais couza alguma de que se possa dar relação desta parrochia.

Sam Miguel, treze de Junho de mil e setecentos e sincoenta e outto.

 

 

 

 

Transcrição: Joaquim Ferreira Boiça e Maria de Fátima Rombouts Barros

 

BOIÇA, Joaquim Ferreira; BARROS, Maria de Fátima Rombouts – As Terras as Serras
os Rios: As Memórias Paroquiais de 1758 do Concelho de Mértola. Mértola: Campo
Arqueológico, 1995.
3

1758 Junho 3 - S. Marcos da Ataboeira
Memória Paroquial de S. Marcos da Ataboeira, Mértola (Esta freguesia passou a pertencer ao concelho de Castro Verde em 1835/36.)
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 36, n.º 8, pp. 33 a 36]

Rellaçam que sua Magestade que Deos guarde, quer desta freguezia de Sam Marcos da
Tabueyra, termo da villa de Mertola, expendido o mappa e forma delle por Sua
Excellencia e muito Reverendissima o Senhor Dom Frey Miguel de Távora, Arcebispo
de Évora.


[Terra]


[1] Ao primeiro interrogattório
Está este povo na provincia do Alentejo, he do arcebispado de Évora, he termo da villa
de Mertola, comarca do Campo de Ourique e he freguezia.

[2] Ao segundo interrogattório
He este povo de El Rey Nosso Senhor que Deos guarde.

[3] Terceyro interrogattorio
Tem este povo noventa e seis vezinhos, tem de pessoas mayores e menores trazentas e
trinta.

[4] Quarto interrogattório
Está plantado este povo em hum bacho que delle se nam descobrem mais que quatro
montes, a saber: o monte dos Pains e Agoas, que dista do povo meyo quarto de legoa, e
o monte do Xapparral, que dista do povo hum quarto de legoa, e o monte Novo que
dista outro quarto e o monte da Apparissa que dista outro quarto.

[5] Quinto interrogattório
Não tem termo seu este povo, só sim he termo da villa de Mértola.

[6] Seisto interrogattório
Está a parochia deste povo contigua ao mesmo povo, tem freguezia por fora do povo,
que consta de vinte e hum montes, a saber: o Monte dos Pains e Agoas, Monte de Sam
Pedro, Monte Do Serra, Monte do Malagam, Monte do Dezerto de Sima, Monte do
Dezerto de Bacho, Monte do Saito, Monte Novo, Monte dos Montezes, Monte do
Corvo, Monte do Pinheyro, // Monte da Corte do Ruivo, Monte das Figueyras, Monte
do Trigo, Monte de Belver, Monte do Guerreyro, Monte da Figueyrinha, Monte da
Sorraya, Monte da Alcaria do Coelho, Monte do Almarginho, Monte da Xara.

[7] Settimo iriterrogattório
O orago desta freguezia e povo he o Evangelista Sam Marcos. Tem três altares, a saber:
altar-mór, que he o do orago e dois colleterais, hum do Bom Jesus que Sua Excelllencia
o Senhor Dom Frey Miguel de Tavora dedicou pera a irmandade das Almas, e o outro
he de Nossa Senhora do Rozário. Tem a igreja huma só nave. Tem só duas irmandades,
a saber: a das Almas e a do Rozário.

[8] Oitavo interrogattório
He o parocho cura cappelam que Sua Magestade que Deos guarde apresenta pelo
Tribunal da Menza da Consciência. E tem de renda dois moyos de trigo, moyo e meyo
de sevada e dez mil reis em dinheyro, pago tudo por três comendas, a saber: a de
Alcaria Ruiva, de que he esta cappella anexa, e a da villa de Mértola e a da villa das
Entradas.

[9] Nono interrogattório
Nam há de que se fassa relaçam pois não tem benefficiados.

[10] Décimo interrogattório
Nam tem cousa alguma do que se procura saber.

[11] Undessimo interrogattório
Nam há de que se fassa relaçam.

[12] Duodessimo interrogattório
Também nam há do que se procura.

[13] Decimo terceyro interrogattório
Nesta freguezia há duas ermidas, huma de Sam Pedro do Soeyro, que foi a parochia
desta freguesia antiguamente e dista deste povo meya legoa, e a outra he de Nossa
Senhora de Araceli, que // dista deste povo huma legoa, pertensem a esta freguezia.

[14] Dessimo quarto interrogattório
(N)as tays sobredittas ermidas nam há dias de romagem, só se lhe fazem suas festas por
devoçam a Sam Pedro, no seu dia, e à Senhora de Araceli no domingo que se segue logo
depois da Natevidade da mesma Senhora.

[15] Decimo quinto interrogattório
Os frutos que os moradores desta freguezia colhem sam trigos, sevadas, senteyos,
porém sevadas e senteyos com menos abundáncia que os trigos ainda que a abundância
dos trigos nam he muita por serem as lavoiras muito lemitadas, e terras muito secas, que
só fertilizam bem quando o anno he abundante de ágoa.

[16] Dessimo seisto interrogattório
Neste povo há Juiz a que chamam da vintena e escrivam posto pello governo da justiça
da villa de Mértola, a que estam sogeitos.

[17] Dessimo settimo interrogattório
Nam he este povo do que se procura no tal interrrogatorio.

[18] Dessimo oitavo interrogattório
Nam há noticia neste povo e freguezia floreçessem homens do que se procura no
interrogattório.

[19] Dessimo nono interrogattório
Neste povo houve antiguamente feira a vinte e sinco dias de Abril, dia do glorioso
Evangelista Sam Marcos, e segundo a noticia de grande concurço, o que já nam há por
que se no sobreditto dia se ajunta ainda concurço de gente e algumas vendagens. Dura
só por tempo de sette ou oito horas e nam há memória de que quando se fazia feira
fouse captiva.

[20] Vigessimo interrogattório
Neste povo nam há correyo e só se serve do correyo que vem à villa de Mertola, que
dista deste povo quatro legoas ou do correyo de Beja, cidade que dista deste povo sinco
legoas grandes.

[21] Vigessimo primey (ro) interrogattório
Dista este povo da cidade de Évora, capital deste arcebispado, // dezaceis legoas e da
cidade de Lisboa, cappital do reyno, vinte e oito legoas.

[22] Vigessimo segundo interrogattório
Nam tem nada este povo do que se procura no tal interrogattório.

[23] Vigessimo terceyro interrogattório
Junto a este povo, entre o Poente e o Norte, está huma fonte a que chamam fonte da
Senhora do Rozario. De sua agoa usa parte deste povo e muitos enfermos acham
milhoras de suas emfermidades bebendo-a, principalmente sendo as enfermidades de
sezoins.

[24] Vigessimo quarto interrogattório
Nada tem este povo do que se procura no tal interrogattório.

[25] Vigessimo quinto interrogattório
Nam he murado este povo e nam há prassa de armas e nam tem torre nem caltello
algum, nem moderno nem antiguo.

[26] Vigessimo seysto interrogattório
Nam padeçeo este povo ruina alguma no terramoto do anno de mil settecentos sincoenta
e sinco, só na cappella-mór da igreja, da parte do Nascente, abrio huma fendazinha que
já tinha sido reparada em os annos mais atrás.

[27] Vigessimo setimo interrogattório
Nam há mais neste povo e seu distritto do que se fassa rellaçam e
memória.

[Serra] [Rio]
No que toca ao mais que vem no mappa, a saber: serra e rio, nam ha de que fassa
memoria e rellaçam.


Sam Marcos da Tabueyra, 3 de Junho de 1758

O parocho Manuel de Britto Pereyra

 

 

 

Transcrição: Joaquim Ferreira Boiça e Maria de Fátima Rombouts Barros

 

BOIÇA, Joaquim Ferreira; BARROS, Maria de Fátima Rombouts – As Terras as Serras
os Rios: As Memórias Paroquiais de 1758 do Concelho de Mértola. Mértola: Campo
Arqueológico, 1995.


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